Na semana passada eu ganhei 6 garrafas de cerveja da rede Mr. Beer. Um diretor da empresa me ofereceu a cortesia após eu ter feito alguns comentários demonstrando a minha frustração com o alto preço das cervejas de importação exclusiva deles. Aceitei sem hesitar, não sou louco de recusar cerveja boa e de graça, e mesmo após mais algumas considerações minhas por e-mail sobre o porquê da minha antipatia pelo Mr. Beer, me enviaram mais de 3 litros de boas cervejas. Desde já expresso minha gratidão pelo presente generoso.
Cerveja, quando grátis, é sempre mais gostosa e eu acho realmente difícil avaliar uma cerveja quando não paguei por ela, pois o critério de custo/benefício é o mais relevante no meu julgamento como consumidor. Eu até tenho uma ideia do preço dessas cervejas que ganhei, mas quando não pesa no próprio bolso a aplicação do critério de custo/benefício fica mais ideológico do que factual. Todas as cervejas que vieram no presente são boas, mas sem nenhum grande destaque. Não é difícil encontrar, no mercado brasileiro, cervejas similares, melhores e mais baratas do que essas exclusivas do Mr. Beer. As cervejas que ganhei foram: Epic Hopulent IPA, Epic Copper Cone Pale Ale, Epic 825 State Stout e a Epic Brainless Belgian-Style Golden Ale, além da Tereza Pilsen Extra Hop.
Se, com esse agrado, o Mr. Beer não conseguiu com que o blogueiro falasse bem da marca e de suas cervejas, ao menos fez com que eu refletisse melhor sobre a posição que eles ocupam atualmente no mercado. Eu não tenho interesse em fazer compras no Mr. Beer, basicamente pelos preços serem entre 20% e 30% mais altos do que os que encontro por aí em outras lojas e supermercados. Imagino que grande parte dos consumidores habituais de boas cervejas também deva saber disso. De toda forma esse fato não parece afetar a saúde do negócio, já que anunciaram o faturamento de R$30 milhões em 2012, segundo o jornal Valor Econômico. A análise dessa revista sugere que os principais concorrentes do Mr. Beer são os clubes de cerveja, fica mesmo evidente que eles não se sentem ameaçados pelas tantas lojas de cervejas, físicas e on-line, que abriram nos últimos tempos, geralmente com preços bem melhores. O público do Mr. Beer é outro, com padrão de consumo bem diferente do meu. É aquele pessoal que quer comprar uma cerveja diferente de vez em quando para fazer uma graça, dar um presente ou experimentar algo diferente do habitual, conhece pouco do mercado cervejeiro, não sabe ou não se importa de pagar um preço bem acima da média e aproveita a comodidade das lojas muito bem localizadas. Tenho que ser realista e reconhecer que este perfil de consumidor de boas cervejas sempre irá existir e negócios como o Mr. Beer e os clubes de cerveja sempre terão neste público o seu filão garantido. Afinal, o mercado das boas cervejas não para de crescer e tem espaço para todos, basta trabalhar direito.
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quinta-feira, 14 de março de 2013
segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013
O mistério da vida útil de uma IPA
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| Cerveja velha tem que beber logo. Essas já eram! |
Depois de fazer uma comparação informal entre uma IPA americana vencida ( a Sixpoint Bengali Tiger em lata) e algumas IPAs nacionais mais frescas (e preferir a vencida), quis saber um pouco mais sobre a vida útil da cerveja americana.
Escrevi um email para a cervejaria elogiando as cervejas e perguntando qual era a idade da cerveja que havia tomado. Esperei uma semana sem resposta, até que resolvi cobrar pela resposta via twitter. Funcionou! Consegui um pouco da atenção do Shane C. Walsh, presidente da Sixpoint Brewery. A princípio ele não quis responder a minha simples pergunta, mas com um pouco de insistência, ele me deu uma meia resposta. Achei melhor me satisfazer com isso e parar de importuná-lo.
Segundo Mr. Welsh, as cervejas enviadas pela Sixpoint ao Brasil são pasteurizadas antes do embarque, exceto a Resin. Ele também disse que as cervejas da Sixpoint tem entre 90 e 270 dias de vida útil, sem especificar qual é qual. De toda forma, seria cronologicamente impossível que as cervejas Sixpoint à venda no Brasil tenham apenas 90 dias entre o engarrafamento e o limite da validade.
Essa minha tentativa de obter uma informação básica sobre o produto da cervejaria demonstrou o resguardo que eles têm com uma informação que pode implicar na qualidade do produto. Eu entendo que essa pouca vontade de esclarecer abertamente um consumidor curioso é sinal claro da falta de transparência. Esse tipo de situação sempre me deixa com uma sensação de "tem coisa aí".
Abaixo segue a transcrição completa da pequena troca de mensagem que tive com chefe da cervejaria Sixpoint:
From: Fernando M Pacheco
Date: 28 de janeiro de 2013 09:23:00 BRST
To: "info@sixpoint.com"
Subject: Bengali Tiger life span
Hi,
Last week I bought a case of Bengali Tiger and a 4-pack of Resin in São Paulo, Brazil on a great discount. The beer expiration date is 1/29/2013 and although the beer is far from fresh it's still good beer. When compared to Brazilian IPAs it's still a fine IPA and I'm pleased by the price I've paid.
Now I'm really interested in comparing american IPAs avaliable in Brazil with the local IPAs. My question is: what is this Bengali's life span, or when was this batch brewed?
Thank you and keep up the great work.
Fernando M Pacheco
mostocritico.blogspot.com.br
From: "Shane C. Welch"
Date: 4 de fevereiro de 2013 12:58:55 BRST
To: Fernando M Pacheco
Subject: Re: Bengali Tiger life span
Hi Fernando -
We are happy to hear that your experience with our "out of code" beers in Brazil was still good. That being said, in order for you to have a true comparison, we suggest that you try sampling "fresh" Sixpoint beers if you are going to compare and blog about it.
We have a fresh shipment going to Brazil very soon. Should we alert you when it arrives?
cheers,
☮ ☮ ☮ ☮ ☮ ☮
Shane C. Welch
President
Sixpoint - Brooklyn - NYC 11231
From: Fernando M Pacheco
Date: 4 de fevereiro de 2013 14:22:58 BRST
To: "Shane C. Welch"
Subject: Re: Bengali Tiger life span
Hi Shane,
I have tried fresher Sixpoint beers before (Righteous, Bengali and Resin) and it was all good.
I think it's great that you label all your beer with a "best before" date, since dry-hopped beer are better when drunk fresh. But I'm still curious about its canning date. Can you tell me how old these beers are?
This information can help me evaluate how american canned beer can hold on to Brazil's climate and distribution system, in comparison to brazilian "american style" beers.
Thank you!
Fernando M Pacheco
mostocritico.blogspot.com.br
From: "Shane C. Welch"
Date: 4 de fevereiro de 2013 14:25:20 BRST
To: Fernando M Pacheco
Subject: Re: Bengali Tiger life span
Fernando -
Some of our beers are canned with as little as 90 days of code dating, while others have as many as 270.
All of the beers we send to Brazil, except for the Resin, have been pasteurized prior to packaging.
cheers
☮ ☮ ☮ ☮ ☮ ☮
Shane C. Welch
President
Sixpoint - Brooklyn - NYC 11231
terça-feira, 29 de janeiro de 2013
Muita cerveja importada, pouco chope local
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| Feliz 2013 |
Passados 14 meses desde que iniciei este blog, aproveitei a virada de ano para refletir sobre minhas ideias e sentimentos como consumidor de boas cervejas e sobre tudo que já escrevi por aqui, no twitter e em outras redes. Acaba sendo irresistível também dar continuidade a alguns temas que surgiram na enquete Melhores de 2012, do Blog do Bob.
A oferta de boas cervejas brasileiras no mercado paulistano cresceu a passos bem lentos em 2012. Talvez essa percepção seja devido ao fato do mercado de cervejas importadas ter crescido em ritmo muito maior, mas de toda forma, para quem quer novidades locais, foi decepcionante. Alguns lançamentos barulhentos de cervejas high-end, podem ter dado a impressão que o ano tenha sido promissor, mas para o meu consumo do dia-a-dia, em termos de cervejas brasileiras, quase nada mudou. No máximo incorporei as cervejas da Way Beer no meu portfólio pessoal, mas nem sempre estão disponíveis e nem o preço entusiasma tanto.
Falando nisso, esse deve ser o maior motivo da minha falta de empolgação com as boas cervejas nacionais, a falta de competitividade com as importadas. Sempre me pareceu óbvio que as vantagens de consumir as cervejas locais (ou pelo menos domésticas) seriam o preço e o frescor, mas infelizmente em nenhum dos dois critérios elas têm superado a concorrência internacional. Sejam cervejas de estilos alemães, belgas ou americanos sempre encontro boas opções importadas com preços mais interessantes que as similares nacionais. Mas e o frescor? Acabo reconhecendo que, mesmo vindo chacoalhando em um navio desde o hemisfério norte, muitas vezes as cervejas importadas estão em estado de conservação similar as nacionais. Talvez nem seja exatamente isso, talvez, mesmo tendo perdido parte de suas qualidades, muitas cervejas importadas ainda estejam em pé de igualdade com as nacionais.
Veja as IPAs, por exemplo: no último fim de semana fiz um pequeno teste. Tomei três nacionais na sequência (Três Lobos, Karavelle e Colorado) e depois uma americana (Sixpoint). As nacionais tinham alguns poucos meses de garrafa e a americana, prestes a vencer. Se a americana já não era a mesma de meses atrás, ela ainda assim foi a experiência mais agradável, com mais drinkability e algum resquício de aroma cítrico. Nas nacionais prevaleceram dulçor e amanteigado, com um amargor no final para justificar a alcunha de IPA. Tá certo que a Sixpoint é em lata e isso pode ter ajudado na conservação, afinal também tem muita IPA americana a venda por aqui, que mesmo dentro da validade, parece mais com água de bateria. Mesmo assim, é decepcionante admitir que a IPA mais velha e viajada ainda seja melhor.
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| Deve ser mais fácil ser otimista bebendo cerveja no Brooklyn |
E que dizer de bom do mercado paulistano de bons chopes brasileiros? Quase nada! Outro dia fiquei feliz por ter entrado em um novo bar perto de casa que tinha chope Dama IPA em sua única torneira. É com isso que tenho que me contentar, enquanto fico babando com a oferta de chopes em bares de Porto Alegre. A diferença é tanta que, no dia que o Bob publicou meu voto nos Melhores de 2012, teve dono de bar gaúcho que soberbamente desqualificou o meu voto para Melhor Bar: "Nem chope tem!". Nem só de torneiras se faz um bom bar, mas se lá no sul dá certo, qual é a dificuldade aqui em São Paulo então? Será que em São Paulo há menos aceitação do público ou os comerciantes que são mais conservadores? Arrisco dizer que é a segunda opção. Mas também tenho a impressão que mesmo os bares que tentaram trabalhar com boa variedade de chopes não trabalharam o produto direito. Nem é apenas pela falta de câmara fria (que já é falha grave), mas também o atendimento. Bar que serve diversos chopes tem que dar prioridade para eles. Não ajuda nada ter um carta imensa de cervejas em garrafa com preços melhores.
Minha perspectiva pessoal para 2013 é pessimista assim: Muita cerveja importada, pouco chope local.
terça-feira, 16 de outubro de 2012
A filosofia da sommelier e o dia-a-dia
Depois de ler o novo artigo da Cilene Soarin para o portal
"UOL - Comidas e Bebidas" fiquei me perguntando até quando o mercado
das boas cervejas, sejam artesanais ou importadas, vai ser pautado pela
experiência de degustações didáticas. Não é a primeira vez que leio um artigo
associando a ascenção econômica e cultural de jovens bebedores de louras
geladas ao interesse por aprender sobre cervejas mais sofisticadas, nem tão
loiras e nem tão geladas. Sempre envolve um bar tão sofisticado quanto e um
certo procedimento quase científico de ordenar e harmonizar as cervejas, da
forma didática para não assustar os novatos. Não sei vocês, mas eu nunca
participei de alguma degustação dessas, seja formal, com algum sommelier, ou
informal, com amigos. A mudança no meu hábito de consumo foi paulatina, movida
pela simples curiosidade de saber a diferença entre as cervejas de sempre e
aquelas outras pouco conhecidas que aparecem na prateleira do supermercado.
O hábito de beber cerveja eu já cultivo há mais de 10 anos, é algo
que faz parte do meu dia-a-dia, como comer um sanduíche ou assitir a um jogo de
futebol. De alguns anos para cá mudaram os rótulos e aumentou a variedade na
minha geladeira, mas o hábito nem tanto. Em um dia quente, tomar uma cerveja
logo que chego em casa do trabalho. Quando vou cozinhar, abrir cerveja que me
acompanhe no fogão e na mesa. Na hora do futebol estar sempre acompanhado de
uma cerveja. Em uma coisa eu concordo com a Cilene, a quantidade mudou
bastante também. Afinal, para que beber tão rápido se a cerveja é tão mais
saborosa que aquelas de antigamente? Tá certo que pelo preço das boas cervejas,
é melhor beber devagar mesmo.
O que realmente incomoda neste discurso é que ele reflete a visão
que grande parte dos consumidores de São Paulo ainda tem das boas cervejas: um
produto diferenciado, para momentos especiais. Nessa lógica a cerveja do
dia-a-dia continua sendo uma daquelas aguadas das propagandas de TV. Essa visão
também se reflete nos bares da cidade. Já superamos aquela fase onde, para fugir
das cervejas populares, só havia os bares e empórios especializados
(temáticos?). Até algum tempo atrás, as estrelas dos "temáticos" eram
as grandes cervejas importadas de fama mundial. O programa de muitos aficionados era ir ao Melograno
ou Empório Alto dos Pinheiros tomar uma Tripel Karmeliet ou Chimay Bleue
(sempre na garrafa arrolhada de 750ml), se esbaldar com aquele luxo caro.
Lógico que já havia diversas cervejas artesanais brasileiras para serem
degustadas, mas elas não tinham o apelo de sofisticação das importadas mais
famosas. Evidentemente que poucos podem se dar esse luxo com frequência,
então o resto da semana devia acabar sendo regado a Coca ou no máximo umas Heinekens.
Ainda bem que de uns tempos para cá a situação está
melhorando em São Paulo. As boas cervejas estão lentamente se espalhando para
além dos bares de nicho. É lógico que não dá para esperar uma seleção
interessante de boas cervejas em qualquer bar, mas havendo alguma opção para
fugir da lager de milho, é certo que muitos clientes ficarão felizes.
Um passo importante para as boas cervejas se tornarem, de uma vez por
todas, um produto de consumo para o dia-a-dia dos apreciadores é uma oferta razoável
de cervejas na pressão, ou "chope" para os tradicionalistas. A falta
de opções para tomar cerveja na pressão em São Paulo chegou a tal ponto que
chope virou uma categoria a parte. Quando entro em algum bar comum e pergunto
quais cervejas tem, o chope nem é mencionado, pois é um produto completamente
diferente na cabeça do garçom, e provavelmente da maioria dos que trabalham no ramo.
Será que eles não sabem que o chope e a cerveja sairam todos do mesmo tanque.
Tenho a impressão que São Paulo ainda perde no quesito bares com variedade de boas cervejas na
pressão. Não estão mais bem servidos o Rio de Janeiro (Boteco Colarinho, Delirium Café), Porto Alegre
(Biermarkt, Vom Fass), Curitiba (Hop'n'Roll) e Belo Horizonte (CCCP, Empório
Serafina)? Os poucos por aqui que já oferecem várias torneiras para os clientes
escolherem, ainda incorrem no mesmo erro do passado. Muita cerveja importada na
pressão e poucas nacionais. E onde fica o frescor da cerveja de barril, não pasteurizada, depois de viajar 10mil quilômetros? Conheço alguns poucos bares em SP com mais de 3
torneiras de boas cervejas e arrisco dizer que, na soma, dois terços delas estão
servindo cervejas importadas. Mas é um começo. Eu sei bem que trabalhar com
cerveja na pressão é negócio arriscado. O produto é
muito perecível, a clientela quer variedade mas sempre vai ter algum barril encalhado ocupando torneira. Mas
com promoções espertas e bom jogo de cintura dá para formar um público cativo
que valoriza as cervejas frescas que saem das torneiras. Mesmo que ainda privilegiando
as importadas, o Empório Alto dos Pinheiros, com seus 27 bicos, já tem um
público fiel às suas torneiras. Para uma cidade como São Paulo ainda é muito
pouco, mas quem sabe a gente chega lá.
Menos afetação, gourmetização, falsa sofisticação e mais bares com boas cervejas (de preferência tiradas na pressão), é querer demais?
Menos afetação, gourmetização, falsa sofisticação e mais bares com boas cervejas (de preferência tiradas na pressão), é querer demais?
sexta-feira, 7 de setembro de 2012
Mas quem lê rótulos?
Eu sempre gostei de ler rótulo de todo produto que consumo, e já aprendi muita coisa. Por que todos os doces de leite do mercado tem que ter aroma de baunilha? Não sei e não me agrada. Com cervejas também aprendi logo que "corante caramelo" não é só para dar cor à cerveja. Alguém entende porque a Bohemia Escura e a Baden Baden 1999 precisam levar caramelo na receita?
Já escrevi bastante sobre as falcatruas na validade de cervejas importadas, mas esse não é o único problema que se encontra nos rótulos. Diversas importadoras desconsideram a importância de informar ao consumidor sobre os ingredientes usados na fabricação da cerveja. Provavelmente, para esses importadores, a exigência do rótulo traduzido é uma mera formalidade, sem qualquer benefício ao consumidor. O consumidor que quiser conhecer os ingredientes de algumas cervejas importadas podera ser induzido ao engano pelo rótulo traduzido. Nem adianta saber ler no idioma do rótulo original, pois a tradução é muitas vezes colada sobre a lista original de ingredientes.
Quem ler apenas o rótulo traduzido da Young's Double Chocolate Stout pode achar que a referência ao chocolate no nome da cerveja é apenas uma sugestão de sabor. Na lista de ingredientes em português não consta nem chocolate nem a essência de chocolate, usados na fabricação da cerveja.
Quem tiver coragem de experimentar a Belzebuth 11,8% pode querer saber como é fabricada aquela bomba. Ela contém aqueles mesmos adjuntos e aditivos presentes nas mais ordinárias cervejas brasileiras, como corante caramelo e conservante. Mas esses ingredientes são ignorados na lista de ingredientes citados no rótulo da importadora.
Na Anderson Valley Winter Solstice, o rótulo frontal logo entrega "ale with natural flavor added". Porém, segundo o selo da importadora, essa cerveja poderia muito bem seguir a lei de pureza alemã. Em português se lê apenas os ingredientes "água, malte, lúpulo e levedura". Cadê o tempero natural?
Não adianta, informação confiável não é o forte das importadoras de cerveja...
Já escrevi bastante sobre as falcatruas na validade de cervejas importadas, mas esse não é o único problema que se encontra nos rótulos. Diversas importadoras desconsideram a importância de informar ao consumidor sobre os ingredientes usados na fabricação da cerveja. Provavelmente, para esses importadores, a exigência do rótulo traduzido é uma mera formalidade, sem qualquer benefício ao consumidor. O consumidor que quiser conhecer os ingredientes de algumas cervejas importadas podera ser induzido ao engano pelo rótulo traduzido. Nem adianta saber ler no idioma do rótulo original, pois a tradução é muitas vezes colada sobre a lista original de ingredientes.
Quem ler apenas o rótulo traduzido da Young's Double Chocolate Stout pode achar que a referência ao chocolate no nome da cerveja é apenas uma sugestão de sabor. Na lista de ingredientes em português não consta nem chocolate nem a essência de chocolate, usados na fabricação da cerveja.
Quem tiver coragem de experimentar a Belzebuth 11,8% pode querer saber como é fabricada aquela bomba. Ela contém aqueles mesmos adjuntos e aditivos presentes nas mais ordinárias cervejas brasileiras, como corante caramelo e conservante. Mas esses ingredientes são ignorados na lista de ingredientes citados no rótulo da importadora.
Na Anderson Valley Winter Solstice, o rótulo frontal logo entrega "ale with natural flavor added". Porém, segundo o selo da importadora, essa cerveja poderia muito bem seguir a lei de pureza alemã. Em português se lê apenas os ingredientes "água, malte, lúpulo e levedura". Cadê o tempero natural?
Não adianta, informação confiável não é o forte das importadoras de cerveja...
segunda-feira, 23 de julho de 2012
Mais algumas considerações sobre o Have a Nice Beer
Recebi no último sábado a remessa mensal do clube Have a Nice Beer. Vieram quatro garrafas de lagers alemãs sem graça e uma garrafa da pale ale "Bill's Beer", de Volta Redonda/RJ. Essa última havia sido a oferta especial que o clube lançou no Dia da Cerveja Brasileira (5/jun). A cerveja é muito boa, mas o que mais me chamou a atenção foi a data de fabricação: 13/jun/2012. A cerveja foi vendida aos associados antes mesmo de ser engarrafada. Apesar de ter demorado 45 dias para chegar na minha casa (são as regras do clube) a cerveja estava bem fresca, com a lupulagem dando as caras assim que a garrafa é aberta.
Taí uma boa vantagem do clube de cervejas. Podem encomendar um lote da cerveja que ainda estava no tanque. Bom para a micro-cervejaria, que garantiu a venda de parte do lote ainda durante a fabricação, bom para o consumidor que apreciou a cerveja em sua melhor forma.
A venda da Bill's Beer pelo HNB sugere até uma nova linha de atuação. Com o crescimento do clube, poderiam fazer isso mais vezes com boas cervejas de micro-cervejarias brasileiras que ainda não tem boa distribuição. Melhor ainda, poderiam fazer como algumas cervejarias americanas já fazem e encomendar cervejas exclusivas (dessa vez para valer), que estariam disponíveis apenas para os assinantes.
Eu já escrevi aqui que a revista do Have a Nice Beer é muito bonita? A capa desse mês está muito legal mesmo. Mas, mais importante do que boas ilustrações e artigos interessantes, a revista precisa ter informações mais precisas sobre os produtos oferecidos pelo clube. Na edição deste mês a revista anuncia a seleção de agosto: duas Zatecs, da República Checa. O anúncio traz uma pequena resenha sobre as cervejas, o preço e uma grande foto das garrafas. Só esqueceram de dizer qual é o volume da garrafa oferecida. Quem entrar no site do clube vai descobrir que são de 330ml, mas o sócio que não se der ao trabalho pode muito bem achar que está comprando cervejas como as da foto na revista, de 500ml. O clube deveria informar na revista o tamanho da garrafas ofertadas e evitar de publicar uma foto que não corresponde ao produto vendido.
Erro parecido acontece na contracapa da revista. O clube está oferecendo aos sócios cervejas das seleções passadas. Na página, há uma pequena ficha de cada uma das cervejas à venda, com estilo, teor alcoólico, até sugerem o tipo de copo a ser usado. Mas deixam de publicar as informações mais relevantes ao consumidor, o preço e o volume das garrafas. Fica bem mais fácil para o consumidor se interessar pela oferta se puder avaliar a relação custo/benefício dos produtos. Ilustrações bonitas devem ajudar a vender cerveja, mas não substituem informações básicas para o consumidor.
quarta-feira, 21 de março de 2012
O Mosto Legal - Botequim do Cesinha
A onda dos botecos chiques em São Paulo é uma praga difícil de evitar. Por todos os bairros boêmios da cidade o cheiro da fumaça gordurosa saindo de uma picanha na chapa pode ser sentido. Chope de qualidade duvidosa e caipiroskas de frutas vermelhas são servidos aos montes em ambientes cenograficamente rústicos. Eu sei, sempre podemos escolher frequentar um botequim legítimo, tomar uma Brahma de garrafa, esperar o álcool fazer efeito até ter coragem de encarar a coxinha oleosa e depois o banheiro pantanoso. Eu, pessoalmente, não tenho mais estômago para isso.
Nunca tive interesse em conhecer o Botequim do Cesinha (Rua Delfina 66, V. Madalena - São Paulo), apesar de conhecer a boa fama e ser perto de casa. Grande erro da minha parte, que foi corrigido graças a um bom amigo, frequentador de lá.
O Botequim do Cesinha é um boteco à moda antiga, mas com alguns diferenciais importantes. O ambiente é simples, está instalado na garagem da casa do proprietário e o próprio Cesinha que te atende. A surpresa está na hora de escolher qual cerveja tomar: o cara tem uma seleção invejável entre nacionais e importadas, sem negligenciar as "ambevarianas". No dia que estive lá tomei a fantástica Brakspear Triple e, mesmo sentado em um banquinho na calçada, fui servido com a taça ideal. Lá no botequim não tem cozinha, em compensação ele serve uma bela porção de frios de boa qualidade e preço justíssimo, além de um sanduíche de rosbife caseiro (mesmo) imbatível. Ahh, não posso esquecer de outro detalhe que o destaca de qualquer outro boteco, chique ou não. No som apenas jazz e blues.
Mesmo estando tão desgostoso do panorama dos bares cervejeiros em São Paulo, o Botequim do Cesinha, além de ser minha mais nova referencia no bairro, demonstra que cervejas importadas e artesanais também combinam com simplicidade.
P.S: Na hora de ir embora o Cesinha me avisou que está saindo de férias e o bar ficará fechado. Se quiser conhecer lá, espere umas duas semanas.
Nunca tive interesse em conhecer o Botequim do Cesinha (Rua Delfina 66, V. Madalena - São Paulo), apesar de conhecer a boa fama e ser perto de casa. Grande erro da minha parte, que foi corrigido graças a um bom amigo, frequentador de lá.
O Botequim do Cesinha é um boteco à moda antiga, mas com alguns diferenciais importantes. O ambiente é simples, está instalado na garagem da casa do proprietário e o próprio Cesinha que te atende. A surpresa está na hora de escolher qual cerveja tomar: o cara tem uma seleção invejável entre nacionais e importadas, sem negligenciar as "ambevarianas". No dia que estive lá tomei a fantástica Brakspear Triple e, mesmo sentado em um banquinho na calçada, fui servido com a taça ideal. Lá no botequim não tem cozinha, em compensação ele serve uma bela porção de frios de boa qualidade e preço justíssimo, além de um sanduíche de rosbife caseiro (mesmo) imbatível. Ahh, não posso esquecer de outro detalhe que o destaca de qualquer outro boteco, chique ou não. No som apenas jazz e blues.
Mesmo estando tão desgostoso do panorama dos bares cervejeiros em São Paulo, o Botequim do Cesinha, além de ser minha mais nova referencia no bairro, demonstra que cervejas importadas e artesanais também combinam com simplicidade.
P.S: Na hora de ir embora o Cesinha me avisou que está saindo de férias e o bar ficará fechado. Se quiser conhecer lá, espere umas duas semanas.
sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012
Cervejas importadas e suas incríveis promoções
Sempre me espanto com as incríveis promoções que só acontecem com cervejas importadas. Não é fato raro aparecerem promoções com descontos de 50% ou mais. Ontem mesmo o Pão de Açúcar ofereceu 50% de desconto em uma dúzia de marcas importadas. Fico admirado quando vejo isso, até porque é raro no ramo de bebidas e alimentos importados, só acontece frequentemente com cervejas. Nunca vi descontos dessa proporção para chocolate belga, macarrão italiano, azeite espanhol nem vinho chileno. Mas o que será que o mercado de cervejas importadas tem de diferente?
Eu sei que entre alimentos e bebidas importadas a cerveja é o produto com os prazos de validade mais curtos. É comum cervejas importadas chegarem às prateleiras com menos de um ano de vida útil. Ainda assim me parece um prazo razoável para vender alguns milhares de cervejas. Mas infelizmente ainda tem muita cerveja importada que encalha nas lojas.
O mercado de cervejas importadas não parece estar encolhendo, afinal sempre tem novidade no setor e mais pontos de venda aparecendo. Se as importadoras não estão tomando um prejuízo atrás de outro, é sinal que aquele monte de cerveja sendo liquidada por baixíssimos preços já está de certa forma paga. Mas quem pagou? Provavelmente quem comprou a cerveja importada pelo preço cheio. Desconheço as margens de lucro do ramo, mas fica aparente que há muita margem para redução de preços. Será que preços menores diminuiriam o encalhe?
Agora já ficou claro que se a cerveja é nacional todos a querem o mais fresca possível, mas se for importada de uma cervejaria hypada esse papo de frescor vira frescura. Assim, consumidor antenado (ou duro) espera a cerveja importada ficar velha para comprar pelo melhor preço.
Eu sei que entre alimentos e bebidas importadas a cerveja é o produto com os prazos de validade mais curtos. É comum cervejas importadas chegarem às prateleiras com menos de um ano de vida útil. Ainda assim me parece um prazo razoável para vender alguns milhares de cervejas. Mas infelizmente ainda tem muita cerveja importada que encalha nas lojas.
O mercado de cervejas importadas não parece estar encolhendo, afinal sempre tem novidade no setor e mais pontos de venda aparecendo. Se as importadoras não estão tomando um prejuízo atrás de outro, é sinal que aquele monte de cerveja sendo liquidada por baixíssimos preços já está de certa forma paga. Mas quem pagou? Provavelmente quem comprou a cerveja importada pelo preço cheio. Desconheço as margens de lucro do ramo, mas fica aparente que há muita margem para redução de preços. Será que preços menores diminuiriam o encalhe?
Agora já ficou claro que se a cerveja é nacional todos a querem o mais fresca possível, mas se for importada de uma cervejaria hypada esse papo de frescor vira frescura. Assim, consumidor antenado (ou duro) espera a cerveja importada ficar velha para comprar pelo melhor preço.
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