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sexta-feira, 18 de julho de 2014

O difícil relacionamento com o SAC da Eisenbahn

"A qualidade deste atendimento foi satisfatória?"


Bebo cervejas Eisenbahn com frequência, são boas cervejas com o melhor preço. Atualmente as preferidas da minha geladeira são a Weizenbock e a 5 anos. Essa última eu sempre compro de meia dúzia, mas fiquei muito decepcionado com a minha última compra. Apesar de já ter visto reclamações, nunca tinha comprado cervejas Eisenbahn com defeito aparente, até essa vez. Diacetil e gosto de prego enferrujado foi o que encontrei nas duas primeiras que abri. Como todas eram do mesmo lote, achei que seria melhor tentar trocá-las do que encarar mais quatro cervejas ruins. Assim começou a minha aventura pelo sistema de relacionamento com o consumidor da Eisenbahn.

Decidido a trocar as cervejas, minha primeira atitude foi entrar no site da cervejaria (que foi desativado logo após o meu problema), na seção Contato e fazer uma reclamação sobre a qualidade das cervejas que havia comprado e solicitar a reposição.  Depois de uma semana de espera recebo a resposta:
“...Em atenção ao seu e-mail, solicitamos que entre em contato com nossa Central de Relacionamento através do 0800 773 4736, nosso horário de atendimento é de Segunda a sexta-feira das 8h30min às 17h30min...”

Sim, demoraram uma semana para me avisar que a seção Contato do site da empresa não podia lidar com a minha reclamação e que eu deveria ligar na Central de Relacionamento. E foi isso que eu fiz, mas para meu espanto o telefone 0800 da Central de Relacionamento da Eisenbahn não aceitava ligações a partir de telefones celulares!

Evidentemente, nada disso iria me impedir e ligando de uma linha terrestre eu consegui falar com a Central de Relacionamento. Fui atendido por uma moça que apesar de gentil, parecia surpresa por atender a minha ligação. Enquanto eu ouvia ao fundo alguma confraternização que ocorria na mesma sala onde a atendente estava eu esperei que ela lentamente preenchesse meus dados em algum formulário. Mais difícil foi quando ela precisou anotar qual era o produto do qual eu estava solicitando a troca, pois não só ela nunca tinha ouvido falar na Eisenbahn 5 anos, como ela não conseguia encontrar a cerveja no formulário do sistema no qual ela anotava a minha reclamação. Depois de meia hora ao telefone, ficou marcada a data na qual um representante da empresa iria à minha casa trocar as cervejas. Infelizmente, na data marcada ninguém apareceu.

Passados mais alguns dias recebo ligação de uma atendente que se apresenta como representante da Brasil Kirin, corporação proprietária da marca Eisenbahn. Sem nenhum pedido de desculpas ou qualquer justificativa ela se oferece para remarcar a visita. Sugere um dia em que haveria jogo do Brasil na Copa, data que eu recusei prontamente. Se em um dia normal eles já tinham me dado o cano, qual era a chance de aparecem na minha casa em dia de jogo do Brasil? A atendente não conseguiu disfarçar o quanto ficou contrariada quando eu expliquei porque não aceitava aquela data para a visita do representante. Mesmo assim, uma nova data foi agendada e dessa vez a troca foi efetuada. Recebi novas garrafas de Eisenbahn 5 anos, de dois lotes diferentes, posteriores aos lotes das cervejas que estavam com problema. Já bebi algumas e se parecem bem mais com a cerveja que eu estava habituado a beber.


Quando uma pequena empresa que admiramos é adquirida por outra bem maior, é de se esperar que entre outras coisas os setores de distribuição, o controle de qualidade e relacionamento com os consumidores se beneficiem da uma maior estrutura e mais investimento. É muito decepcionante ver que no caso do relacionamento com os consumidores o atendimento prestado pela Brasil Kirin está mais próximo do padrão já conhecido por quem tem que lidar com problemas com companhias telefônicas. A estrutura de atendimento está armada de maneira a desmobilizar o reclamante e não a satisfazer a sua necessidade.


quinta-feira, 2 de maio de 2013

Será que estou bebendo demais? (Gastando demais tenho certeza que estou)

Foi muito legal a repercussão do post anterior, com a tabela comparativa do preço por litro de diversas boas cervejas que encontro a venda aqui na ZO paulistana. Muita gente me disse que passou a prestar mais atenção no preço que está pagando, no comparativo com outras similares, nacionais e importadas. Essa é a idéia! Também teve gente que considerou injusta a minha tabela. O Murilo, da Dum Cervejaria, me disse que acha injusto comparar o preço praticado pelas micro-cervejarias brasileiras com o preço das cervejas importadas, pois seriam realidades muito distintas. Para ele, as micro-cervejarias brasileiras trabalham com margens pequenas e não teriam condições de reduzi-las, enquanto isso as importadoras trabalham com margens bem maiores. Não ignoro as dificuldades dos pequenos produtores, mas entendo que todos disputam o mesmo mercado, são produtos similares e por isso devem ser comparados, de forma que fique mais claro para o consumidor a posição de cada produto dentro do mercado.

No meio do caminho surgiu uma pequena polêmica que contribuiu para esclarecer a visão que os empresários do setor tem do mercado brasileiro. Na ânsia de justificar a disparidade dos preços de suas cervejas nos mercados americanos e franceses na comparação com o brasileiro, o Marcelo Carneiro, da Cervejaria Colorado, sugeriu que o consumidor local, entendendo o peso do "custo Brasil" sobre o produtor brasileiro, deveria sim pagar mais caro como forma de incentivar a produção nacional e auxiliá-lo a atingir um volume maior de produção. Segundo ele, quem não for solidário e compreender essa situação, que vá beber Brahma. Um empresário de sucesso se colocando como vítima do "sistema" e apelando para um velho argumento ideológico para convencer o consumidor a pagar mais caro para viabilizar a sua produção, enquanto vende suas cervejas nos EUA por um terço do preço praticado aqui. Quase ninguém engoliu as justificativas para tamanha disparidade de preços, muito menos eu. Da minha parte, nada contra a Colorado, continuarei comprando a suas cervejas quando valer a pena.



Enquanto isso, eu não parei de consumir e dar minha pequena contribuição para fazer girar a roda cervejeira. Não foi por solidariedade a nenhum produtor ou comerciante, mas apenas porque adoro beber boa cerveja. O problema é descobrir que essa a pequena contribuição deixa uma sequela bem grande no meu orçamento. Superado o receio em encarar a realidade dos números, tabulei (com o auxílio do Untappd) as cervejas que (paguei e) consumi durante o mês de abril. Foram pouco mais de 17 litros de cerveja para cerca de R$430 gastos, algo em torno de R$25 por litro. Comparando com a tabela de preço por litro que divulguei no post anterior, tem muita boa cerveja com preço inferior a R$25/L, o problema é que nem sempre o melhor preço está ao meu alcance, sem falar que também gosto de beber em bares, onde o preço é bem maior..

Uma das frases de efeito mais usada por pregadores das Revolução Cervejeira é dizer que "É um caminho sem volta". De fato, depois que acostumei a beber apenas boas cervejas no dia a dia ficou muito difícil voltar a consumir as velhas cervejas aguadas por iniciativa própria, mesmo quando o bolso aperta. Até para Heineken criei uma certa resistência, aquele gosto de fruta verde me incomoda cada vez mais. Tendo abandonado a Heineken, tive que subir um degrau para estabelecer as cervejas-base do meu consumo doméstico: a Eisenbahn 5 anos. Ótima escolha, exceto por custar o dobro da anterior. Se não bastasse, a tentação é enorme quando se gosta de tudo que é estilo de cerveja, tem sempre mais cerveja do que eu consigo experimentar. Consigo evitar diversas tentações, mas sempre acabo seduzido por algum fetiche.

Para mim está claro que beber 17 litros por mês não é muito, muito mesmo é gastar R$430 no mês com algo tão prosaico, que é beber cerveja. Minha meta para os próximos meses é, sem diminuir o volume bebido, gastar bem menos, sem esmola ou ideologia.

fonte: http://joshchristie.hoppress.com

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

Melhores de 2012 – Blog do BOB


Foram mais de cem votantes na enquete e ficou difícil achar o voto de cada um. Resolvi republicar o meu voto para facilitar aos visitantes de passagem e para quem ainda possa ter alguma curiosidade sobre as minhas preferências.



Melhores de 2012 – Blog do BOB
Foi divertido fazer essa lista proposta pelo Bob, assim como foi difícil. Nem vou tentar equilibrar a lista, desconsiderando a minha preferência pelas cervejas mais lupuladas. Esta é uma lista pessoal e permanentemente provisória, mas esse é o meu sentimento nesse 1º de janeiro de 2013 sobre as cervejas que bebi e tudo que aconteceu na cena cervejeira, no ano que passou.


1) MELHOR ALE NACIONAL
Cervejaria Nacional/Sinnatrah B’IPA – Tento acreditar que a melhor IPA será sempre a mais fresca, porém as americanas não me deixam. De toda forma, no caso das brasileiras tem funcionado assim. Nada melhor do que tomar uma IPA fabricada a 600 metros de casa, no dia do lançamento, e muito bem feita. Ótima IPA a moda inglesa, lupulagem mais rústica e sem o excesso de frutas cítricas. Seca no ponto certo, sem aquele dulçor a mais, comum a tantas IPAs brasileiras. Uma pena que era sazonal, quando voltei na Cervejaria Nacional, 15 dias depois, não tinha mais. Espero que volte logo!


2) MELHOR LAGER NACIONAL
Eisenbahn 5 anos – Não posso deixar de fora a cerveja que mais bebi em 2012. Pode não ser a cerveja mais redonda, às vezes o amargor dela parece um pouco áspero, mas quando está fresca, seu aroma é muito bom, uma mistura de caramelo com chá mate. Como a maior parte das cervejas Eisenbahn, o preço é muito acessível, tem a melhor relação custo/amargor do mercado brasileiro. Tenho sempre na minha geladeira.


3) MELHOR ALE IMPORTADA
Weihenstephaner Vitus - Primeira vez que provei foi quando conheci o bar Frangó, há alguns anos. No começo não dava muita bola para ela, assim como não dava bola para as cervejas de trigo em geral. Mas, com o passar do tempo, passei a admirá-la. Para mim, que sempre preferi as amargas, é uma cerveja suave, mas ao mesmo tempo, complexa e divertida, ainda mais com o teor alcoólico respeitável. No começo do ano tomei algumas meio apagadas, deviam estar mal tratadas as coitadas, mas com o novo lote, que chegou alguns meses atrás, tenho comprado cada vez mais. Se não bastasse ser ótima, é uma cerveja fácil de encontrar e com preço amigável.


4) MELHOR LAGER IMPORTADA
De Molen Donder & Bliksem – Merece a citação pela surpresa que foi ganhar uma garrafa dessa lager de rótulo discreto. Me disseram que era uma Bohemian Pilsener, mas me lembrou mais outra lager deliciosa do mar do norte, a Schiehallion. Aroma de lichia, bom amargor e muito refrescante.


5) MELHOR CHOPE
Way Pale Ale – Daquele tipo de chope que dá para tomar a noite inteira. Até o Beer Experience 2012, eu só tinha bebido a versão engarrafada, que é apenas uma sombra do que é esse chope. Aroma fresco cítrico, chope leve que mata a sede com personalidade. É uma pena que quase não chegue a São Paulo.


6) MELHOR BAR CERVEJEIRO
Empório Sagarana - Vila Madalena - Taí a contradição. Eu mesmo já havia escrito por aí que empório não é bar. Então que me aparece esse bar, instalado onde ficava uma velha marcenaria, perto de casa. Digo que é bar porque, apesar do nome, tem cara de bar, personalidade de bar. É um estabelecimento bem pequeno, de esquina. Não tem mesas, mas tem o balcão mais convidativo que conheço na cidade. Não tem cozinha, porém serve duas porções básicas para acompanhar cerveja, queijo e amendoim. Mas é um empório: tem mais de uma centena de rótulos de cerveja para beber lá ou levar, pois os preços das cervejas são tão bons quanto os das melhores lojas, bem abaixo do que praticam os bares cervejeiros da cidade.
Muitos já devem conhecer a matriz do Sagarana, na Lapa. A filial na Vila Madalena compartilha o mesmo estilo na decoração, com muita madeira, dando um ar rústico ao lugar, mas tem um diferencial que cativa a mim, os preços mais baixos.


7) MELHOR CERVEJA CASEIRA

(não bebi)


8) MELHOR CERVEJA DO ANO, AQUI OU LÁ FORA
Duvel Tripel Hop (Citra 2012) - Que cerveja incrível é essa! O melhor encontro entre a levedura belga e o lúpulo americano. Diferente de muitas das chamadas “Belgian IPAs” (é uma tripel com lúpulo americano, o rótulo já avisa), nesta cerveja a lupulagem assertiva e a levedura não brigam, eles dançam harmoniosamente, sem sobreposição.


9) RÓTULO MAIS BONITO DO ANO
Founders Centennial IPA – Dois anjos elevam ao céu o nome do lúpulo que dá alma a essa cerveja, a melhor IPA americana do mercado nacional. Não tem rótulo mais digno que esse.


10) NOVIDADE DO ANO
A chegada das Founders ao Brasil. Para mim a melhor cervejaria americana entre as que já importaram para o Brasil. Melhor ainda, chegaram com preço abaixo de muitas outras americanas. Nesse quesito só perdem para as Brooklyn, mas as cervejas da Founders dão um baile. Espero que o próximo lote mantenha o posicionamento no preço e aumente a variedade. Afinal o que é bom sempre pode melhorar.


11) MELHOR FATO CERVEJEIRO
A queda no preço das cervejas importadas é um fato a ser celebrado por nós consumidores. Hoje em dia, em São Paulo, é possível comprar ótimas cervejas importadas, americanas e belgas, por menos de R$10; as icônicas trapistas a partir de R$12; uma diversidade de boas cervejas alemãs a partir de R$10. Isso, num ano em que nossa moeda desvalorizou, demonstra que o mercado amadureceu, na base da concorrência.
O industrial brasileiro, fabricante de cerveja artesanal pode discordar que isso seja um bom fato cervejeiro, mas é ele quem tem que correr atrás do prejuízo. Para nós consumidores, o mais importante é a cerveja ser boa e acessível, seja fabricada aqui ou no exterior.


12) PIOR FATO CERVEJEIRO
Em 2012, definitivamente a cidade de São Paulo ficou para trás no mercado do chope artesanal. Tentei contar quantos bares abriram em São Paulo nesse ano, que ofereçam alguma variedade de chope artesanal para além do pilsen e do weiss, me lembrei de apenas um. Com esse, deve haver no máximo quatro casas com três torneiras de chope artesanal cada uma. Com maior variedade de chopes artesanais em São Paulo há apenas um bar.
Nunca vi nenhuma pesquisa a respeito, mas não é difícil imaginar que a cidade de São Paulo seja o maior mercado de cervejas artesanais e importadas do país. A maioria dos supermercados já as vendem, todos os bairros de classe média e alta têm empórios vendendo essas cervejas, mas chope artesanal, quase nada. Enquanto isso, acompanho a distância o crescimento desse mercado em Porto Alegre, Rio de Janeiro, Belo Horizonte e Curitiba. Todas essas cidades tiveram bares abertos em 2012 com boa oferta de chopes artesanais.
As vantagens de consumir chope são o preço e o frescor, por isso valorizo o chope artesanal brasileiro. Mas, se você quiser tomar chope importado em São Paulo, não há problema. Isso tem bastante...

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

Eisenbahn sem concorrência

Experimentar as cervejas da Eisenbahn foram o meu primeiro passo fora da caverna cervejeira. Elas estão a mais tempo presentes nas prateleiras dos supermercados paulistanos do que qualquer outra cerveja artesanal, pelo menos fora do universo das pilsen aguadas. Antes eram as únicas e hoje as mais acessíveis.


No meio cervejeiro, sejam em blogs, sites ou redes sociais fala-se pouco das cervejas Eisenbahn. Não é a cervejaria mais popular nem a mais comentada. Até entendo porque, mesmo bebendo essas cervejas frequentemente, não são as minhas favoritas. Não fazem IPA nem lançam novos rótulos, mas são um porto seguro para o meu dia a dia.

As cervejas Eisenbahn tem uma posição única no mercado cervejeiro: Figuram praticamente sozinhas na faixa dos R$4. Abaixo delas estão todas aquelas lagers das grandes cervejarias, acima todas as outras cervejas artesanais. Entre as cervejas artesanais em garrafas de 350ml não existem tantas outras opções, e geralmente acima dos R$6.  Por cerca de R$10 há mais de uma dezena de cervejas em garrafa de 600ml, aí a disputa é grande, nos mais diversos estilos.

Vou repetir o que já havia escrito neste blog anteriormente: Há cervejarias artesanais que confiam mais nos prêmios que irão ganhar do que na venda que podem obter. A Cervejaria Eisenbahn já ganhou muitas medalhas em concursos internacionais, mas hoje em dia nem tanto. Suas concorrentes tem tido mais sucesso internacional nos últimos tempos. Honestamente prefiro tomar sempre uma boa cerveja sem medalha do que degustar esporadicamente uma cerveja medalhada. O consumidor prefere bom custo/benefício à medalhas no rótulo, e nesse quesito a Eisenbahn é imbatível.

O pessoal cervejeiro adora divagar sobre o dia em que o mercado de cervejas artesanais amadurecer, como o norte americano. Eu digo que o nosso mercado artesanal terá amadurecido quando a faixa dos R$4 for a mais disputada nas prateleiras de empórios e supermercados.

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

Tá difícil tomar chope artesanal em São Paulo!

Na imensa maioria dos bares de SP chope e Brahma praticamente formam uma só palavra. Porém chope não é sinônimo de cerveja aguada. Qualquer cerveja servida na pressão pode ser chamada assim. Mas onde estão os chopes artesanais?



Eu sei que trabalhar com chope artesanal não é fácil. A margem de lucro não é lá grande coisa, o produto estraga logo, a chopeira e os barris são um trambolho. Muito mais fácil é vender cervejas engarrafadas. Mas como fica o consumidor que presa pela sua cerveja bem fresca? Vai ter que camelar atrás do seu chope e ainda corre o risco de tomar cerveja azeda. Porque se não bastassem as dificuldades, tenho a impressão que mesmo os bares que se arriscam a vender chope artesanal não trabalham o produto como deveriam.

Na rua dos Pinheiros há um bar que gosto muito chamado Damis. Montado em um prédio antigo de esquina, tem um ar roqueiro decadente, meio Treze de Maio nos anos noventa. Servem um bom hamburger e chope Eisenbahn Weizen, Pale Ale e Dunkel. Um pint por R$10 é um bom negócio, mas o difícil é o chope estar fresco, mais comum é estar meio azedo. Mas também pudera, sempre que vou lá sou o único tomando chope, todas as outras mesas bebem Original. Como o dono do bar pretende vender dezenas de litros de chope antes que estrague se ele oferece outra opção mais barata e popular. Se quer trabalhar com chope ele tem que ser seu carro-chefe, ao menos no que se refere a bebidas, senão vai vender chope azedo.

Há cerca de um ano, na rua Mourato Coelho, abriram um bar chamado Miró. Infelizmente não durou muito, em menos de um ano fechou. Não sei qual era o público que eles pretendiam atrair, mas a carta de cervejas era das mais estranhas. Todas as cervejas eram do portfolio da importadora e distribuidora Bier & Wein. Tinha de tudo, até lambic, mas cerveja nacional apenas Paulistânia e Conti Premium. A carta de cervejas em garrafa nem era o pior. Estranho mesmo eram às servidas na pressão. Havia quatro opções, todas importadas, inclusive uma pilsener alemã por R$9 a caldereta. Com tantos bons chopes artesanais sendo distribuídos em São Paulo, não entendo qual é a desse fetiche por chope importado. Se nem as cervejas em garrafa importadas estão no auge do seu frescor quando chegam ao nosso mercado, o que dizer dos chopes importados?




A Cervejaria Bamberg, de Votorantim/SP, tem boa distribuição na capital e um portfólio incrível. Diferentemente de outras micro-cervejarias, a Bamberg privilegia o chope, ao invés da garrafa. Isso é fácil de perceber se compararmos os preços praticados por eles e por outras cervejarias artesanais. A Bamberg tem disparada a melhor relação de preço chope/garrafa. Mas infelizmente se quiser provar todo seu incrível portfólio de chopes vai ter que colocar uma chopeira em casa. Em São Paulo,  para além dos batidos pilsen e weizen,  há apenas um estabelecimento, que nem bar é, oferecendo os chopes Bamberg.

O fio de esperança para quem aprecia o bom chope está no único brewpub da capital, a Cervejaria Nacional. O preço do chope ainda assusta um pouco, já que o pint chega a custar R$15. Mas a cerveja é boa, é fresca e é local. Na falta de opções é para lá que eu vou !


terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Geladeira sem novidades

O site Brejas divulgou em primeira mão o rótulo e outros "detalhes" sobre o novo e esperado lançamento da cervejaria Colorado. Já havia experimentado essa cerveja em sua primeira versão, um ano atrás, e fiquei ansioso para  tê-la na minha geladeira e poder apreciá-la sempre que quisesse. Demorou, mas parece que dentro em breve ela será distribuída. Segundo o Brejas, a cerveja será engarrafada sem pasteurização e distribuída refrigerada. É uma ótima atitude para trazer ao consumidor uma cerveja com o maior frescor possível e todas as sensações que os lúpulos podem proporcionar. Por outro lado, já percebi que dificilmente irei encontrar uma garrafa de Colorado Vixnu para vender no mesmo ponto de venda aqui perto de casa onde compro as minhas Indicas.






A verdade é que, para quem é louco por cervejas artesanais como eu, sempre que há um novo lançamento vindo de uma das cervejarias que admiro, bate aquela vontade de provar, e mais, transformá-la em habitué da minha geladeira. Infelizmente isso costuma ser muito difícil de acontecer, minha geladeira continua habitada sempre pelos mesmos rótulos. Não que eu seja conservador, mas também não sou um ávido consumidor de cervejas raras, sazonais, com distribuição restrita e preços acima dos outros rótulos da mesma cervejaria. Entre as cervejarias artesanais com produtos facilmente encontrados aqui em São Paulo (Eisenbahn, Colorado, Bamberg, Wäls), é muito raro encontrar alguma novidade nas prateleiras, e quando há são geralmente cervejas sazonais, mais sofisticadas e caras que os outros rótulos de seus portfólios.Colorado Ithaca, Bamberg St Michael, Wäls Brut, Eisenbahn Weihnachts Ale... A lista vai longe. Bem mais difícil é fazer uma lista de novidades dessas cervejarias que sejam de linha, com distribuição e preço similar aos rótulos já tradicionais. Quando a Colorado lançou sua última novidade que custasse o mesmo que a Appia ou a Indica, e a Eisenbahn quando lançou uma novidade na sua linha básica? A Bamberg tem diversos novos lançamentos que não podem ser taxados de sofisticados ou caros, mas também são raramente encontrados sejam no varejo em garrafa ou servidos na pressão.

A impressão que tenho é que o mercado de cervejas artesanais ainda valoriza de forma desproporcional o exclusivismo em detrimento do consumo habitual. As cervejarias sabem bem que não irão ampliar suas vendas adicionando novos produtos à base de seu portfólio, em contrapartida ao lançarem rótulos sazonais ou de alto padrão ganham grande exposição na mídia especializada. Fique claro que não tenho nada contra esses lançamentos de grande qualidade, mas é difícil acreditar que os consumidores estarão enchendo suas geladeiras com alguma dessas novidades, eu sei que não irei.