Mostrando postagens com marcador ética. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador ética. Mostrar todas as postagens

domingo, 2 de dezembro de 2012

Para que tantos estilos?

A mais nova belgian dark IPA.
Fonte: http://www.beermaniacs.com.br
Uma boa forma de saber o quanto você é aficionado por cerveja é elencar todos os estilos de cerveja que conhece. Saber o nome de diversos estilos também pode ser ótimo para contar vantagem na mesa do bar e conquistar o distintivo de beerchato. Mas, para além disso, os estilos de cerveja tem uma utilidade bem mais prática. Quanto mais conheço os estilos de cervejas mais fácil fica fazer boas escolhas cervejeiras.

Muitos cervejeiros caseiros, e outros beernerds em geral, adoram promover longos debates sobre as características que definem cada estilo e julgar se cada cerveja se enquadra ou não no estilo proposto.
Eu não me entusiasmo tanto com esses debates. Depois que bebo a cerveja, o estilo a qual ela pertence perde importância.

Na minha cabeça prefiro enquadrar as cervejas em categorias mais simples: amargas, intensas, suaves, refrescantes, etc. Assim agrupo mentalmente as cervejas que já provei. Porém não posso ignorar a qual estilo cada cerveja que provei está enquadrada. Apenas associando as minhas categorias mentais de cervejas aos estilos cervejeiros saberei o que posso encontrar em uma cerveja que ainda não provei.

Para mim, como consumidor, esse é o ponto que realmente importa. Conhecer os estilos me ajuda a escolher o que beber, principalmente a comprar uma cerveja que nunca tomei antes. Quando a cervejaria indica de forma clara em qual estilo sua cerveja se enquadra, ela facilita a minha escolha. A surpresa se resumirá ao quanto boa ou ruim essa cerveja é. Tudo bem que certas características sutis podem estar presentes em alguns exemplares do estilo, mas não em outros, esse tipo de surpresa também pode ser boa. Mas eu não gostaria de encontrar um defumado intenso em uma schwarzbier, nem um azedume na minha IPA. Dentre as variações de aromas e sabores que cada estilo abrange alguma regularidade tem que haver, para que o próprio estilo faça sentido.

Atualmente, com o crescimento do número de consumidores interessados em cervejas para além do universo das "pilsen", o estilo indicado no rótulo pode ajudar muito a vender. Infelizmente muitas cervejarias não se apegam aos padrões existentes para cada estilo. Querem meramente associar seu produto a algum estilo que consideram facilmente vendável. Aí surgem stouts de baixa fermentação, red ales com mais de 8%abv e outras coisa estranhas. E o que dizer das IPAs? Esse é um estilo com tantas variações que já é difícil dizer exatamente o que qualquer IPA terá em comum. Parece que a fórmula do mercado é a seguinte: pegue qualquer ale, jogue um monte de lúpulos americanos e a batize de "qualquer coisa IPA". Deve vender bem, até eu compraria.

Todo mundo já viu esse cartaz, mas continua muito instrutivo.
fonte: Aleheads


quarta-feira, 28 de março de 2012

Carta de Intenções dos Blogueiros Brasileiros de Cerveja - Não assinei

No mercado cervejeiro, imagino que em outros mercados também, os blogueiros são vistos com desconfiança e certo preconceito. Afinal, qualquer um pode abrir um blog e escrever o que lhe vier a cabeça, dos melhores insights às piores merdas. Essa plataforma virtual de publicação proporciona tamanha liberdade que deve mesmo causar apreensão de qualquer um que possa ser assunto de um post. Mas tem um jeito de domar os blogueiros, pelo bolso.

Posts pagos por anunciantes, também conhecidos como publieditoriais, não são novidade na blogosfera. Entre os blogs de cerveja ainda é uma prática pouco comum, mas não é por falta de interesse dos blogueiros. Muitos colegas, blogueiros de cerveja, admiram o potencial econômico de suas publicações virtuais. Falta as empresas do setor apostarem na viabilidade marqueteira de tal instrumento de divulgação e controle.

Em um recente debate entre blogueiros de cerveja, decorrência da Carta de Intenções dos Blogueiros Brasileiros de Cerveja, afirmei que quando um blogueiro usa seu espaço virtual para publicar um texto, de sua própria autoria, para ajudar a divulgar um produto mediante pagamento, ele está vendendo a sua opinião. Indicar em nota ou com um banner que aquele texto se trata de um publieditorial não muda isso. Ele usa o mesmo espaço, com o mesmo destaque e mesma linguagem visual que em seus posts "não-pagos" para vender algo, associando assim sua credibilidade ao produto. Por outro lado essa mesma credibilidade, que foi monetarizada, pode perder valor perante o leitor ao ser vendida como ferramenta publicitária.

Não podemos confundir blogs com veículos de mídia tradicionais, como jornais e revistas. Blogs são uma mídia diretamente vinculada as relações sociais virtuais que surgiram na internet nos últimos 15 anos, e seu conteúdo está umbilicalmente ligado à participação do autor nas redes sociais virtuais. O que o autor publica, seja no blog, seja no facebook ou no twitter irá compor sua persona nessas redes.

lyke2drink.blogspot.com

No grupo de signatários da Carta de Intenções dos Blogueiros Brasileiros de Cerveja encontram-se blogs de muitos perfis diferentes. Desde pequenos blogs de degustação até websites de notícias do mundo cervejeiro. A maioria faz apenas por hobbie, mas muitos já tem sua vida profissional diretamente atrelada ao tema de seus blogs.

O tema da ética foi questão central na elaboração da carta. A ética do uso comercial dos blogs, via publieditoriais, foi resolvida com a redação deste artigo:

"Os integrantes do BBC passam a assumir perante o público os seguintes compromissos:

A retórica deste parágrafo pode parecer simples e direta à primeira vista, mas com um olhar mais cuidadoso logo percebe-se o vazio de tal compromisso. "Nos comprometemos a não fazer tal coisa, porém, quando fizermos, avisamos". Na mesma frase eles assumem um compromisso ético, mas dizem que em determinadas situações (leia-se quando pagarem) ele não será válido, quando isso acontecer deve-se avisar ao leitor. A forma como está escrito passa a impressão de que eles não pretendem vender a sua opinião, mas se porventura algum dos signatários o fizer ele não romperá com o compromisso, desde que assuma claramente. Não é bem assim: diversos membros deste grupo oferecem abertamente a venda de publieditoriais em seus blogs/sites, com tabela de preço e tudo! Se eles já sabem que esse compromisso só será válido as vezes, não seria mais coerente assumir apenas a segunda parte?

É verdade que também tenho outros motivos para não assinar esta carta. Não acho que os blogueiros precisem formar um grupo, coletivo ou associação para obter maior credibilidade ou visibilidade junto ao setor, a credibilidade de cada um é conquistada individualmente. Também não me interesso em publicar pautas conjuntas eventualmente, prefiro a variedade à unidade. Tampouco me sinto confortável em associar minha imagem a blogueiros que trabalham para importadoras, lojas ou bares, afinal o único diferencial deste blog é minha independência como blogueiro-consumidor para elogiar e criticar esses mesmos negócios.

quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Convenção de blogueiros: e se brinde virar convenção?



Muito se fala sobre o papel dos blogs na difusão da cultura cervejeira. Esse termo "cultura cervejeira" já está até bastante malhado, virou inclusive marca registrada de uma cervejaria mais esperta. Posso dizer por mim: não faço o blog com a pretensão de difundir a cultura cervejeira, minha intenção é bem outra:  fomentar o mercado cervejeiro, da perspectiva do consumidor. Diferente do que alguns pensam, entendo que o consumidor é um dos agentes do mercado, consumidores conscientes e bem informados favorecem o fortalecimento do mercado cervejeiro.

Diversos colegas blogueiros de cerveja convocaram uma convenção com o intuito de formar uma associação. Acho que é muito difícil juntar blogs com visões tão diferentes em uma associação sem que essa favoreça um dos lados. Não vejo sentido em participar de uma associação ao lado de blogueiros diretamente associados a cervejarias e importadoras ou que vivem de publieditoriais (mais conhecidos como jabá).

Um dos temas que será debatido na convenção é o da ética na informação. Querem estabelecer parâmetros e regras para o recebimento, por parte dos blogueiros, de brindes (cerveja de graça, óbvio) e convites para viagens (com tudo pago, óbvio).



Outro dia escrevi no Twitter que havia comprado novamente uma Indica baleada. Dias depois recebi um email da cervejaria se dispondo a me enviar uma garrafa nova.  Exatamente hoje que escrevo esse texto, recebi, pela segunda vez em menos de 3 meses, um brinde da Cervejaria Colorado. Foi uma caixa com duas garrafas de cervejas, a Indica e a Vixnu. Cerveja boa e de graça? Não sou louco de rejeitar, porém fica um incômodo.

Por mais que eu tente ser imparcial, depois de receber tanto presente da cervejaria será que minha opinião a respeito desta empresa mantem a mesma isenção de antes? Toda vez que fizer um comentário negativo a respeito de um produto da cervejaria eles irão me mandar um presente? Logo, pode parecer que sou ingrato ou que estou fazendo fumaça apenas para ganhar mais cerveja de graça. Essa atenção toda é porque sou um blogueiro renitente ou qualquer consumidor recebe a mesma atenção? Com ferramentas de comunicação como o Facebook e o Twitter qualquer reclamação pública pode ter uma repercussão inesperada, nem precisa ser blogueiro. Será que a cervejaria dará conta de apaziguar a todos?