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segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

Melhores de 2012 – Blog do BOB


Foram mais de cem votantes na enquete e ficou difícil achar o voto de cada um. Resolvi republicar o meu voto para facilitar aos visitantes de passagem e para quem ainda possa ter alguma curiosidade sobre as minhas preferências.



Melhores de 2012 – Blog do BOB
Foi divertido fazer essa lista proposta pelo Bob, assim como foi difícil. Nem vou tentar equilibrar a lista, desconsiderando a minha preferência pelas cervejas mais lupuladas. Esta é uma lista pessoal e permanentemente provisória, mas esse é o meu sentimento nesse 1º de janeiro de 2013 sobre as cervejas que bebi e tudo que aconteceu na cena cervejeira, no ano que passou.


1) MELHOR ALE NACIONAL
Cervejaria Nacional/Sinnatrah B’IPA – Tento acreditar que a melhor IPA será sempre a mais fresca, porém as americanas não me deixam. De toda forma, no caso das brasileiras tem funcionado assim. Nada melhor do que tomar uma IPA fabricada a 600 metros de casa, no dia do lançamento, e muito bem feita. Ótima IPA a moda inglesa, lupulagem mais rústica e sem o excesso de frutas cítricas. Seca no ponto certo, sem aquele dulçor a mais, comum a tantas IPAs brasileiras. Uma pena que era sazonal, quando voltei na Cervejaria Nacional, 15 dias depois, não tinha mais. Espero que volte logo!


2) MELHOR LAGER NACIONAL
Eisenbahn 5 anos – Não posso deixar de fora a cerveja que mais bebi em 2012. Pode não ser a cerveja mais redonda, às vezes o amargor dela parece um pouco áspero, mas quando está fresca, seu aroma é muito bom, uma mistura de caramelo com chá mate. Como a maior parte das cervejas Eisenbahn, o preço é muito acessível, tem a melhor relação custo/amargor do mercado brasileiro. Tenho sempre na minha geladeira.


3) MELHOR ALE IMPORTADA
Weihenstephaner Vitus - Primeira vez que provei foi quando conheci o bar Frangó, há alguns anos. No começo não dava muita bola para ela, assim como não dava bola para as cervejas de trigo em geral. Mas, com o passar do tempo, passei a admirá-la. Para mim, que sempre preferi as amargas, é uma cerveja suave, mas ao mesmo tempo, complexa e divertida, ainda mais com o teor alcoólico respeitável. No começo do ano tomei algumas meio apagadas, deviam estar mal tratadas as coitadas, mas com o novo lote, que chegou alguns meses atrás, tenho comprado cada vez mais. Se não bastasse ser ótima, é uma cerveja fácil de encontrar e com preço amigável.


4) MELHOR LAGER IMPORTADA
De Molen Donder & Bliksem – Merece a citação pela surpresa que foi ganhar uma garrafa dessa lager de rótulo discreto. Me disseram que era uma Bohemian Pilsener, mas me lembrou mais outra lager deliciosa do mar do norte, a Schiehallion. Aroma de lichia, bom amargor e muito refrescante.


5) MELHOR CHOPE
Way Pale Ale – Daquele tipo de chope que dá para tomar a noite inteira. Até o Beer Experience 2012, eu só tinha bebido a versão engarrafada, que é apenas uma sombra do que é esse chope. Aroma fresco cítrico, chope leve que mata a sede com personalidade. É uma pena que quase não chegue a São Paulo.


6) MELHOR BAR CERVEJEIRO
Empório Sagarana - Vila Madalena - Taí a contradição. Eu mesmo já havia escrito por aí que empório não é bar. Então que me aparece esse bar, instalado onde ficava uma velha marcenaria, perto de casa. Digo que é bar porque, apesar do nome, tem cara de bar, personalidade de bar. É um estabelecimento bem pequeno, de esquina. Não tem mesas, mas tem o balcão mais convidativo que conheço na cidade. Não tem cozinha, porém serve duas porções básicas para acompanhar cerveja, queijo e amendoim. Mas é um empório: tem mais de uma centena de rótulos de cerveja para beber lá ou levar, pois os preços das cervejas são tão bons quanto os das melhores lojas, bem abaixo do que praticam os bares cervejeiros da cidade.
Muitos já devem conhecer a matriz do Sagarana, na Lapa. A filial na Vila Madalena compartilha o mesmo estilo na decoração, com muita madeira, dando um ar rústico ao lugar, mas tem um diferencial que cativa a mim, os preços mais baixos.


7) MELHOR CERVEJA CASEIRA

(não bebi)


8) MELHOR CERVEJA DO ANO, AQUI OU LÁ FORA
Duvel Tripel Hop (Citra 2012) - Que cerveja incrível é essa! O melhor encontro entre a levedura belga e o lúpulo americano. Diferente de muitas das chamadas “Belgian IPAs” (é uma tripel com lúpulo americano, o rótulo já avisa), nesta cerveja a lupulagem assertiva e a levedura não brigam, eles dançam harmoniosamente, sem sobreposição.


9) RÓTULO MAIS BONITO DO ANO
Founders Centennial IPA – Dois anjos elevam ao céu o nome do lúpulo que dá alma a essa cerveja, a melhor IPA americana do mercado nacional. Não tem rótulo mais digno que esse.


10) NOVIDADE DO ANO
A chegada das Founders ao Brasil. Para mim a melhor cervejaria americana entre as que já importaram para o Brasil. Melhor ainda, chegaram com preço abaixo de muitas outras americanas. Nesse quesito só perdem para as Brooklyn, mas as cervejas da Founders dão um baile. Espero que o próximo lote mantenha o posicionamento no preço e aumente a variedade. Afinal o que é bom sempre pode melhorar.


11) MELHOR FATO CERVEJEIRO
A queda no preço das cervejas importadas é um fato a ser celebrado por nós consumidores. Hoje em dia, em São Paulo, é possível comprar ótimas cervejas importadas, americanas e belgas, por menos de R$10; as icônicas trapistas a partir de R$12; uma diversidade de boas cervejas alemãs a partir de R$10. Isso, num ano em que nossa moeda desvalorizou, demonstra que o mercado amadureceu, na base da concorrência.
O industrial brasileiro, fabricante de cerveja artesanal pode discordar que isso seja um bom fato cervejeiro, mas é ele quem tem que correr atrás do prejuízo. Para nós consumidores, o mais importante é a cerveja ser boa e acessível, seja fabricada aqui ou no exterior.


12) PIOR FATO CERVEJEIRO
Em 2012, definitivamente a cidade de São Paulo ficou para trás no mercado do chope artesanal. Tentei contar quantos bares abriram em São Paulo nesse ano, que ofereçam alguma variedade de chope artesanal para além do pilsen e do weiss, me lembrei de apenas um. Com esse, deve haver no máximo quatro casas com três torneiras de chope artesanal cada uma. Com maior variedade de chopes artesanais em São Paulo há apenas um bar.
Nunca vi nenhuma pesquisa a respeito, mas não é difícil imaginar que a cidade de São Paulo seja o maior mercado de cervejas artesanais e importadas do país. A maioria dos supermercados já as vendem, todos os bairros de classe média e alta têm empórios vendendo essas cervejas, mas chope artesanal, quase nada. Enquanto isso, acompanho a distância o crescimento desse mercado em Porto Alegre, Rio de Janeiro, Belo Horizonte e Curitiba. Todas essas cidades tiveram bares abertos em 2012 com boa oferta de chopes artesanais.
As vantagens de consumir chope são o preço e o frescor, por isso valorizo o chope artesanal brasileiro. Mas, se você quiser tomar chope importado em São Paulo, não há problema. Isso tem bastante...

terça-feira, 29 de janeiro de 2013

Muita cerveja importada, pouco chope local


Feliz 2013


Passados 14 meses desde que iniciei este blog, aproveitei a virada de ano para refletir sobre minhas ideias e sentimentos como consumidor de boas cervejas e sobre tudo que já escrevi por aqui, no twitter e em outras redes. Acaba sendo irresistível também dar continuidade a alguns temas que surgiram na enquete Melhores de 2012, do Blog do Bob.

A oferta de boas cervejas brasileiras no mercado paulistano cresceu a passos bem lentos em 2012. Talvez essa percepção seja devido ao fato do mercado de cervejas importadas ter crescido em ritmo muito maior, mas de toda forma, para quem quer novidades locais, foi decepcionante. Alguns lançamentos barulhentos de cervejas high-end, podem ter dado a impressão que o ano tenha sido promissor, mas para o meu consumo do dia-a-dia, em termos de cervejas brasileiras, quase nada mudou. No máximo incorporei as cervejas da Way Beer no meu portfólio pessoal, mas nem sempre estão disponíveis e nem o preço entusiasma tanto.

Falando nisso, esse deve ser o maior motivo da minha falta de empolgação com as boas cervejas nacionais, a falta de competitividade com as importadas. Sempre me pareceu óbvio que as vantagens de consumir as cervejas locais (ou pelo menos domésticas) seriam o preço e o frescor, mas infelizmente em nenhum dos dois critérios elas têm superado a concorrência internacional. Sejam cervejas de estilos alemães, belgas ou americanos sempre encontro boas opções importadas com preços mais interessantes que as similares nacionais. Mas e o frescor? Acabo reconhecendo que, mesmo vindo chacoalhando em um navio desde o hemisfério norte, muitas vezes as cervejas importadas estão em estado de conservação similar as nacionais. Talvez nem seja exatamente isso, talvez, mesmo tendo perdido parte de suas qualidades, muitas cervejas importadas ainda estejam em pé de igualdade com as nacionais.

Veja as IPAs, por exemplo: no último fim de semana fiz um pequeno teste. Tomei três nacionais na sequência (Três Lobos, Karavelle e Colorado) e depois uma americana (Sixpoint). As nacionais tinham alguns poucos meses de garrafa e a americana, prestes a vencer. Se a americana já não era a mesma de meses atrás, ela ainda assim foi a experiência mais agradável, com mais drinkability e algum resquício de aroma cítrico. Nas nacionais prevaleceram dulçor e amanteigado, com um amargor no final para justificar a alcunha de IPA. Tá certo que a Sixpoint é em lata e isso pode ter ajudado na conservação, afinal também tem muita IPA americana a venda por aqui, que mesmo dentro da validade, parece mais com água de bateria. Mesmo assim, é decepcionante admitir que a IPA mais velha e viajada ainda seja melhor.

Deve ser mais fácil ser otimista bebendo cerveja no Brooklyn
Logo me vem a cabeça o post "Cerveja viva ou morta?". Esse post repercutiu muito na época, muitos criticaram, mas poucos disseram abertamente o motivo pelo qual as cervejas importadas são mais resistentes que as brasileiras. Muitas cervejas importadas não são pasteurizadas nem micro-filtradas, não ficam sob refrigeração todo o tempo e mesmo assim permanecem boas por tanto ou mais tempo que as nacionais pasteurizadas. Tem até quem duvide da honestidade das cervejarias estrangeiras, que afirmam não pasteurizar suas cervejas. Isso eu não sei, mas também não duvido...

E que dizer de bom do mercado paulistano de bons chopes brasileiros? Quase nada! Outro dia fiquei feliz por ter entrado em um novo bar perto de casa que tinha chope Dama IPA em sua única torneira. É com isso que tenho que me contentar, enquanto fico babando com a oferta de chopes em bares de Porto Alegre. A diferença é tanta que, no dia que o Bob publicou meu voto nos Melhores de 2012, teve dono de bar gaúcho que soberbamente desqualificou o meu voto para Melhor Bar: "Nem chope tem!". Nem só de torneiras se faz um bom bar, mas se lá no sul dá certo, qual é a dificuldade aqui em São Paulo então? Será que em São Paulo há menos aceitação do público ou os comerciantes que são mais conservadores? Arrisco dizer que é a segunda opção. Mas também tenho a impressão que mesmo os bares que tentaram trabalhar com boa variedade de chopes não trabalharam o produto direito. Nem é apenas pela falta de câmara fria (que já é falha grave), mas também o atendimento. Bar que serve diversos chopes tem que dar prioridade para eles. Não ajuda nada ter um carta imensa de cervejas em garrafa com preços melhores.

Minha perspectiva pessoal para 2013 é pessimista assim: Muita cerveja importada, pouco chope local.



sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

O Mosto Legal - Jornalistas


O espaço dado às boas cervejas na imprensa brasileira cresceu muito nos últimos dois anos. Se antigamente as notícias sobre o mercado de cerveja costumavam aparecer nos cadernos de economia dos jornais, lentamente o tema tem se deslocado para as editorias de cultura. As editoras também acordaram para o tema: revistas semanais, masculinas, de viagens e de gastronomia passaram a dar atenção para as boas cervejas. Tá certo que a maioria das matérias servem apenas para divulgar novos lançamentos ou ensinar o be-a-bá da cultura cervejeira para quem só sabe a diferença entre cerveja clara e escura. Porém, tenho acompanhado o trabalho de dois jornalistas que têm ido além do lugar comum, garimpando furos sobre o mercado cervejeiro com precisão e conhecimento, aproveitando muito bem o espaço recém conquistado em alguns dos grandes jornais brasileiros. Os textos que eles têm publicado não subestimam o conhecimento do leitor-consumidor, fica claro que eles não guardam sua visão crítica sobre o atual estado do mercado cervejeiro para as conversas à boca pequena, mas fazem com o cuidado exigido pela responsabilidade de escrever para veículos jornalísticos de grande alcance.
Não bastando o envolvimento profissional com o assunto, ambos mantém blogs onde publicam, além de versões não-editadas de suas matérias para os jornais, avaliações de cervejas e outras curiosidades sobre o mercado e a cultura cervejeira.


Quem são eles?


O interesse pelo tema não é nada recente para Roberto Fonseca, já em 2005 ele mantinha um blog sobre latinhas de cerveja, o Latinhas do Bob. No ano seguinte publicou no caderno Paladar do Estadão sua primeira matéria sobre o mercado cervejeiro, fruto de uma viagem por Santa Catarina em busca das micro-cervejarias da região. Com o passar do tempo o interesse dos leitores aumentou e atualmente escreve para o caderno de gastronomia do jornal toda semana, com notícias e avaliações de cervejas. O seu blog, o Blog do B.O.B no site do Estadão, é um dos mais conhecidos entre os aficionados pelas cervejas, pois sempre traz informações em primeira mão, principalmente sobre a cena paulista.




Marcio Beck está nessa há menos tempo, sua primeira matéria sobre o mercado cervejeiro foi publicada em maio de 2011, no Jornal do Commercio. O tema foi a visita do vice-presidente da Brewers' Association, Bob Pease, ao Brasil. Desde então ele já publicou diversas matérias sobre o assunto, sempre com enfoque no desenvolvimento do mercado das boas cervejas. O seu blog, A Volta ao Mundo em 700 Cervejas, segue na mesma linha, e teve como ponto alto a ótima entrevista com o Garrett Oliver, da cervejaria Brooklyn, que antecedeu a recente visita dele ao Brasil.





Antes de escrever esse post, pedi a eles que me ajudassem respondendo algumas perguntas sobre suas carreiras. Inicialmente eu não tinha a intenção de publicá-las, mas eles responderam com tanta boa vontade e cuidado que considerei um desperdício guardar apenas para mim. Nos links abaixo estão publicadas a pequena "entrevista" com ambos jornalistas:

Roberto Fonseca

Marcio Beck 

quinta-feira, 31 de maio de 2012

A Cervejaria do Bairro

Me considero um afortunado, pois em meu bairro há uma cervejaria, melhor ainda um brewpub: fabrica e serve no mesmo estabelecimento. Chama-se Cervejaria Nacional e completou 1 ano de funcionamento esta semana.


Foto: Mario Rodrigues

Já fui lá tantas vezes que perdi a conta. Eu gosto muito da Cervejaria Nacional por dois motivos: É perto e tem boa cerveja. Isso já é o suficiente para me satisfazer, pois defeitos lá tem vários. A entrada não é muito receptiva. Tem que fazer uma ficha com nome completo e telefone para retirar a comanda, antes de subir a escada em direção ao bar. Quanta burocracia por uma cerveja! O serviço, muito tímido e inseguro, demorou a engrenar, atualmente está bem melhor, mas ainda me faz sentir como se estivesse no Applebee's. Falta mais descontração e perguntar ao cliente, antes do cardápio ou qualquer outra coisa, se quer pedir uma cerveja. O ambiente é legal, apesar de muito formal e do péssimo hábito de abaixarem as luzes no meio da noite e acenderem velas nas mesas. Esse clima romântico é coisa de piano-bar, não de brewpub.

E tem as cervejas. Não são as melhores, nem são fantásticas, mas são muito boas e isso já uma grande coisa. O preço não empolga, com pint de IPA por R$16. Por esse valor tem bar vendendo garrafa de Colorado Indica, mas na maioria das vezes ela não está muito fresca, foi pasteurizada e tal. Entre tomar a melhor IPA velha e uma boa IPA fresca, fico com a segunda. Na cervejaria do bairro a cerveja percorre no máximo uns 50 metros desde o fermentador até o seu copo e para aliviar o bolso do vizinho assíduo tem promoção com chope em dobro de segunda à sexta.

Um ano atrás o colega Roberto Fonseca escreveu no Estadão e em seu blog sobre os dois novos brewpubs que iriam abrir em São Paulo, Cervejaria Nacional e Cervejaria Corsário (essa história eu conto outro dia), e  levantou o histórico dos brewpubs na cidade. Passado um ano, parece que ao menos a Cervejaria Nacional veio para ficar. Espero que a recente diminuição nas horas de funcionamento não seja um mau sinal, apenas um ajuste, pois ainda pretendo tomar muitos pints por lá.

terça-feira, 22 de maio de 2012

O supermercado vai matar a loja de cerveja?

Os supermercados de São Paulo entraram de vez no ramo das cervejas boas. Na seção, que antes era disputada entre "lager mega A" vs. "lager mega B", agora o destaque está nos rótulos pouco conhecidos das ales artesanais e diversas importadas de qualidade. Os supermercados não entraram nessa onda só para se aproveitar da imagem sofisticada desse produto, estão realmente querendo disputar mercado. Os preços praticados pelos supermercados nas cervejas importadas e nas artesanais são, na grande maioria das vezes, melhores que qualquer empório ou loja on-line.

Um dia a gente chega lá. (foto: Brewtality)


Eu compro cerveja quase sempre em supermercados e os daqui da região não tem deixado a desejar na seleção de artesanais e importadas. Alguns meses atrás o Blog do BOB fez um censo completo do setor, que continua melhorando a cada semana.

Nós, consumidores, nos beneficiamos com isso, cerveja boa, mais fácil de encontrar e com bons preços. Quem não deve estar gostando são os donos de empórios e lojas de cerveja. Antes eles tinham o chamariz da exclusividade, agora estão em uma situação parecida com a do dono do mercadinho da esquina. Como resistir ao poder das corporações?

Eu sei que comprar cervejas em lojas especializadas tem suas vantagens. A seleção é ainda melhor que os melhores supermercados, o serviço é bem mais atencioso e, por vezes, especializado. Porém, cerveja boa é um troço caro e sei que muitos, como eu, não podem se dar ao luxo de abrir mão do melhor preço.

O situação já não é nada animadora para as lojas de cerveja, e tem um elo da cadeia cervejeira que tem jogado contra: distribuidoras e importadoras.Outro dia o dono de uma loja de cerveja me contou que havia comprado umas caixas de Guinness Draught e pagado R$5 a unidade, que seria um bom preço. Para a sua surpresa alguns dias depois ele descobre que o supermercado mais próximo de sua loja estava vendendo o mesmo produto pelo preço cobrado pelo importador. Com as cervejas nacionais não era muito diferente. Ele pagava no distribuidor pelas garrafas 600ml de cerveja Colorado quase o mesmo preço cobrado em uma outra rede de supermercados.

(Foto:Tim Boyle)


O poder econômico das grandes corporações varejistas é colossal e muitos produtores e distribuidores devem estar dispostos às maiores loucuras (leia-se descontos e bonificações) para entrar com seus produtos em uma dessas redes. Afinal, uma vez fazendo parte do portfólio de um supermercado, grandes encomendas virão. Mas esses intermediários não podem ignorar a importância dos pequenos e jogar contra. Primeiro porque ingratidão é feio e por muito tempo o mercado de cervejas boas se limitava às pequenas lojas, era desses comerciantes que distribuidores e importadores dependiam. Segundo e mais importante é reconhecer a importância que essas lojas ainda tem no mercado, principalmente pela difusão da cultura cervejeira. Na loja cervejeira consumidor compra com mais atenção e está mais aberto a provar novos produtos. A fidelização do consumidor passa, na maioria das vezes, pelos empórios.

A sobrevivência dos pequenos comerciantes de cerveja depende muito da capacidade que terão de se manterem competitivos num mercado muito sensível à variação de preços. Dá para ser competitivo quando distribuidor e supermercado praticam o mesmo preço?