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segunda-feira, 8 de abril de 2013

Preço por litro é o preço real

Outro dia sugeriram que ficar divulgando preços e promoções de cerveja era algo inferior, e como blogueiro eu deveria me dedicar a análises mais profundas, também me disseram que certas comparações de preços podem ser injustas com produtores e vendedores. Discordo completamente dessas idéias. Não acho que o meu blog precise tratar do tema de maneira "aprofundada", ser consumidor de boas cervejas é algo bastante simples, e me esforço para manter afastada desse blog a minha afetação como um aficionado pela cultura da cerveja. Prefiro tratar aqui das questões do dia a dia do consumidor, que para alguns pode parecer simplório, mas para mim são essenciais. Comparar preços é uma delas. Não entendo o receio de muitos comerciantes em divulgar seus preços na internet, provavelmente é porque sabem que seus preços não estão entre os melhores.

fonte: barclayperkins.blogspot.com

Cada vez mais assuntado com a aumento dos preços das boas cervejas brasileiras em comparação com as importadas, fiz um pequeno experimento. É bem simples e até óbvio, mas que mostra de forma bem clara o posicionamento no mercado de algumas das boas cervejas mais comentadas e bebidas entre os zitófilos de São Paulo. O experimento se resume à uma planilha de preços, ordenada pelo preço por litro de cada cerveja. Como referência, usei o menor preço que encontrei para cada cerveja na região oeste de São Paulo, desconsiderei promoções temporárias ou de cervejas com data de vencimento muito próxima.


A planilha está hospedada no Google Drive, basta clicar no link abaixo:


Algumas curiosidades logo me saltaram aos olhos. Por exemplo: uma cerveja que eu achava cara, mas já nem acho tão cara assim é a Colorado Vixnu. Bem mais barata que a Way Double Pale Ale, essa sim com um preço desproporcionalmente alto.
Mas o que realmente chama atenção nessa lista é ver boas cervejas importadas com preços melhores do que as similares nacionais, mesmo que isso não seja exatamente uma novidade. Alguns bons negócios ficam evidentes nessa lista, e poderia servir de estímulo ao mercado, de investir mais em packs com descontos. Os comerciantes ganham em volume e o consumidor, um desconto atraente. Brooklyn mais barata que Way Beer? Basta comprar de 6-pack. As cervejas americanas já chegam no Brasil em pack de 6 ou 4, o que facilita para o comerciante oferecer para venda neste formato. Quando as cervejarias brasileiras irão fazer o mesmo?

Se você, como eu, consome tanta cerveja durate o mês, que já controla o seu consumo por litragem, sugiro que passe a prestar atenção no preço real que está pagando. Compare o preço que está pagando por litro nas cervejas que consome cotidianamente e faça melhores escolhas.



A minha IPA preferida eu compraria só de 6pack.

quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Convenção de blogueiros: e se brinde virar convenção?



Muito se fala sobre o papel dos blogs na difusão da cultura cervejeira. Esse termo "cultura cervejeira" já está até bastante malhado, virou inclusive marca registrada de uma cervejaria mais esperta. Posso dizer por mim: não faço o blog com a pretensão de difundir a cultura cervejeira, minha intenção é bem outra:  fomentar o mercado cervejeiro, da perspectiva do consumidor. Diferente do que alguns pensam, entendo que o consumidor é um dos agentes do mercado, consumidores conscientes e bem informados favorecem o fortalecimento do mercado cervejeiro.

Diversos colegas blogueiros de cerveja convocaram uma convenção com o intuito de formar uma associação. Acho que é muito difícil juntar blogs com visões tão diferentes em uma associação sem que essa favoreça um dos lados. Não vejo sentido em participar de uma associação ao lado de blogueiros diretamente associados a cervejarias e importadoras ou que vivem de publieditoriais (mais conhecidos como jabá).

Um dos temas que será debatido na convenção é o da ética na informação. Querem estabelecer parâmetros e regras para o recebimento, por parte dos blogueiros, de brindes (cerveja de graça, óbvio) e convites para viagens (com tudo pago, óbvio).



Outro dia escrevi no Twitter que havia comprado novamente uma Indica baleada. Dias depois recebi um email da cervejaria se dispondo a me enviar uma garrafa nova.  Exatamente hoje que escrevo esse texto, recebi, pela segunda vez em menos de 3 meses, um brinde da Cervejaria Colorado. Foi uma caixa com duas garrafas de cervejas, a Indica e a Vixnu. Cerveja boa e de graça? Não sou louco de rejeitar, porém fica um incômodo.

Por mais que eu tente ser imparcial, depois de receber tanto presente da cervejaria será que minha opinião a respeito desta empresa mantem a mesma isenção de antes? Toda vez que fizer um comentário negativo a respeito de um produto da cervejaria eles irão me mandar um presente? Logo, pode parecer que sou ingrato ou que estou fazendo fumaça apenas para ganhar mais cerveja de graça. Essa atenção toda é porque sou um blogueiro renitente ou qualquer consumidor recebe a mesma atenção? Com ferramentas de comunicação como o Facebook e o Twitter qualquer reclamação pública pode ter uma repercussão inesperada, nem precisa ser blogueiro. Será que a cervejaria dará conta de apaziguar a todos?


sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

Cerveja viva ou morta ?

A moda agora no mercado nacional de cervejas artesanais é fabricar cervejas vivas. Essas são cervejas engarrafadas, mas não pasteurizadas, e devem ser mantidas sob refrigeração todo o tempo para não estragarem. As cervejas das gaúchas Abadessa e Seasons são assim e em breve a Vixnu da Colorado também. Evidentemente essas cervejas são mais frescas e por causa da logística refrigerada, também mais caras.


Algumas cervejas importadas disponíveis no Brasil também são assim, não pasteurizadas, porém como também dependem de refrigeração constante, já devem estar mortas quando chegam nas prateleiras daqui. As cervejarias Anderson Valley, Rogue e Brewdog estampam em suas embalagens e seus sites com orgulho: "Não pasteurizamos nossas cervejas" ou " mantenha sob refrigeração". Eu já vi para vender produtos dessas cervejarias em diversos pontos de venda e posso dizer que não estavam armazenadas da forma correta para produtos tão frágeis. Todavia, tomei delas e não estavam perdidas, provavelmente estariam bem melhores se tomadas no país de origem, mas ainda não fui até lá para conferir.

O que me pergunto agora é se esse cuidado todo com as cervejas não-pasteurizadas é frescura para encarecer  as nacionais, ou se é desleixo com as importadas?


segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Follow-up - Cervejaria Colorado

Não sei se por ironia do destino ou da equipe da Colorado, mas depois de usar o lançamento da Vixnu como exemplo de lançamento cervejeiro pouco acessível (vide o post "Geladeira sem novidades") ganhei uma versão única dessa nova cerveja: engarrafada e pasteurizada.

Tenho que agradecer à equipe da Colorado por me enviar duas garrafas de cerveja, como reposição para a Indica que eu havia comprado com defeito. (Como foi relatado em "O Mosto Legal - Cervejaria Colorado")



Na caixa que recebi havia alguns adesivos, sendo dois rótulos de Colorado Ithaca, uma garrafa de Colorado Indica e uma garrafa de Colorado Vixnu.

Já tomei e aprovei a Vixnu engarrafada e trocaria a minha Indica por uma Vixnu sempre que possível. Estava um tanto diferente do chope que havia experimentado no ano passado (quando essa cerveja ainda era conhecida como Double Indica). Se daquela vez parecia que estava tomando uma cerveja de maracujá, na versão nova e engarrafada o aroma de fruta estava bem mais comportado. Para resumir: a Vixnu que tomei agora se parece uma versão concentrada da Indica, aroma e sabor não diferem muito, apesar de mais intensos na nova cerveja.




A pergunta agora é: O que essa cerveja ganharia em qualidade se não fosse pasteurizada? Tá bom, o que ela perdeu quando foi pasteurizada? Imagino que a diferença seja muito grande, que justifique a opção da cervejaria de criar um novo sistema de distribuição refrigerada apenas para comercializar este lançamento. Já tentei experimentar o novo chope Vixnu por duas vezes, no bar Melograno, mas não estava disponível. Então terei que esperar a versão comercial em garrafa para poder compará-las.

Algumas outras perguntas também me vêm a cabeça. Se eu achei a Vixnu pasteurizada semelhante a Indica, será que, se a Indica deixasse de ser pasteurizada, ela também poderia ser muito melhor? Poderia ser uma boa opção já que haverá de qualquer forma uma nova logística para comercializar as cervejas "vivas".
Por outro lado, melhor não. Seria mais uma cerveja do portfolio da Colorado de difícil acesso.

Que fique claro! Eu reclamo porque adoro essas cervejas, assim quero poder comprá-las sempre que tiver vontade (e dinheiro). Pelo menos aqui na zona oeste paulistana a Colorado, junto com a Eisenbahn, são as cervejarias artesanais com melhor distribuição e custo/benefício. 

Ouvi dizer que a Indica está longe de ser o produto mais vendido da cervejaria. Sempre visito a seção de cervejas do grande supermercado aqui ao lado de casa e fico com impressão de que lá não sai mais do que uma Indica por dia. Mesmo assim é um território conquistado, seria muito decepcionante não ter mais Colorados a venda na esquina de casa. 

Minhas sugestões à equipe Colorado: Ou pasteurizem todas as cervejas do portifólio e as mantenham nas prateleiras dos supermercados ou emprestem aquelas suas lindas geladeiras envelopadas para todos os pontos de venda poderem revender suas cervejas "vivas".

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Geladeira sem novidades

O site Brejas divulgou em primeira mão o rótulo e outros "detalhes" sobre o novo e esperado lançamento da cervejaria Colorado. Já havia experimentado essa cerveja em sua primeira versão, um ano atrás, e fiquei ansioso para  tê-la na minha geladeira e poder apreciá-la sempre que quisesse. Demorou, mas parece que dentro em breve ela será distribuída. Segundo o Brejas, a cerveja será engarrafada sem pasteurização e distribuída refrigerada. É uma ótima atitude para trazer ao consumidor uma cerveja com o maior frescor possível e todas as sensações que os lúpulos podem proporcionar. Por outro lado, já percebi que dificilmente irei encontrar uma garrafa de Colorado Vixnu para vender no mesmo ponto de venda aqui perto de casa onde compro as minhas Indicas.






A verdade é que, para quem é louco por cervejas artesanais como eu, sempre que há um novo lançamento vindo de uma das cervejarias que admiro, bate aquela vontade de provar, e mais, transformá-la em habitué da minha geladeira. Infelizmente isso costuma ser muito difícil de acontecer, minha geladeira continua habitada sempre pelos mesmos rótulos. Não que eu seja conservador, mas também não sou um ávido consumidor de cervejas raras, sazonais, com distribuição restrita e preços acima dos outros rótulos da mesma cervejaria. Entre as cervejarias artesanais com produtos facilmente encontrados aqui em São Paulo (Eisenbahn, Colorado, Bamberg, Wäls), é muito raro encontrar alguma novidade nas prateleiras, e quando há são geralmente cervejas sazonais, mais sofisticadas e caras que os outros rótulos de seus portfólios.Colorado Ithaca, Bamberg St Michael, Wäls Brut, Eisenbahn Weihnachts Ale... A lista vai longe. Bem mais difícil é fazer uma lista de novidades dessas cervejarias que sejam de linha, com distribuição e preço similar aos rótulos já tradicionais. Quando a Colorado lançou sua última novidade que custasse o mesmo que a Appia ou a Indica, e a Eisenbahn quando lançou uma novidade na sua linha básica? A Bamberg tem diversos novos lançamentos que não podem ser taxados de sofisticados ou caros, mas também são raramente encontrados sejam no varejo em garrafa ou servidos na pressão.

A impressão que tenho é que o mercado de cervejas artesanais ainda valoriza de forma desproporcional o exclusivismo em detrimento do consumo habitual. As cervejarias sabem bem que não irão ampliar suas vendas adicionando novos produtos à base de seu portfólio, em contrapartida ao lançarem rótulos sazonais ou de alto padrão ganham grande exposição na mídia especializada. Fique claro que não tenho nada contra esses lançamentos de grande qualidade, mas é difícil acreditar que os consumidores estarão enchendo suas geladeiras com alguma dessas novidades, eu sei que não irei.