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quarta-feira, 14 de maio de 2014

Padrão de qualidade lá e aqui



No quarto episódio da série Brew Masters, do canal Discovery, o proprietário da cervejaria americana Dogfish Head, Sam Calagione, se vê às voltas com um grave problema de controle de qualidade. A cerveja mais valorizada da marca, a 120 Minute IPA, apresentou um defeito durante o processo de fabricação. Durante todo o programa Calagione pondera sobre a importância de manter o padrão de qualidade da marca e o prejuízo que descartar o lote defeituoso acarretaria. Ao final do episódio, um tanque inteiro de 120 Minute é descartado.

Aqui no Brasil, há meses é comentado nas redes sociais um problema recorrente nas cervejas arrolhadas da Wäls. Muitas aparecem sem gás e/ou com um azedume não característico. No fórum do site Brejas já tem um tópico com mais de 80 respostas, com diversos consumidores reclamando de terem comprado cervejas Wäls defeituosas. Durante o debate no fórum, que já dura mais de 2 meses, alguns colegas reproduziram respostas que receberam da equipe da Wäls. Primeiro representantes da cervejaria tentaram culpar o transporte e o armazenamento nos pontos de venda, até que em um post recente, um forista comentou que esteve na fábrica da Wäls e ouviu de um dos proprietários que de fato houve um problema com as rolhas. O problema teria ocorrido durante 10 meses antes de ser detectado, quando usaram, inadvertidamente, rolhas com um padrão diferente do usual. A culpa seria do fabricante das rolhas sintéticas, que havia mudado a composição das rolhas sem avisar a cervejaria. Parece que agora as garrafas estão sendo tampadas com uma rolha diferente, de outro fornecedor.

Depois de tantos meses sem admitir a extensão do problema parece que, pelo menos em conversas informais, a equipe da Wäls assume o que aconteceu. Mas o que falta à Wäls, a cervejaria que conquistou recentemente o prêmio mais prestigiado já dado a uma cerveja brasileira e que divulgou o investimento em um novo laboratório de análises químicas, é demonstrar o mesmo tipo de preocupação do Sam Calagione da Dogfish Head com seus consumidores e com o padrão de qualidade de seus produtos, dar uma satisfação pública aos seus consumidores e tirar de circulação os lotes defeituosos. Transferir para o consumidor o prejuízo causado por um problema entre fabricante e fornecedor é sinal claro de descaso. No momento em que a cervejaria começa a exportar seus produtos para os EUA eles passam a impressão de subestimarem os consumidores locais. Ou será que vai ter Belô azeda também?

foto: lamasbrewshop.com.br



terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Geladeira sem novidades

O site Brejas divulgou em primeira mão o rótulo e outros "detalhes" sobre o novo e esperado lançamento da cervejaria Colorado. Já havia experimentado essa cerveja em sua primeira versão, um ano atrás, e fiquei ansioso para  tê-la na minha geladeira e poder apreciá-la sempre que quisesse. Demorou, mas parece que dentro em breve ela será distribuída. Segundo o Brejas, a cerveja será engarrafada sem pasteurização e distribuída refrigerada. É uma ótima atitude para trazer ao consumidor uma cerveja com o maior frescor possível e todas as sensações que os lúpulos podem proporcionar. Por outro lado, já percebi que dificilmente irei encontrar uma garrafa de Colorado Vixnu para vender no mesmo ponto de venda aqui perto de casa onde compro as minhas Indicas.






A verdade é que, para quem é louco por cervejas artesanais como eu, sempre que há um novo lançamento vindo de uma das cervejarias que admiro, bate aquela vontade de provar, e mais, transformá-la em habitué da minha geladeira. Infelizmente isso costuma ser muito difícil de acontecer, minha geladeira continua habitada sempre pelos mesmos rótulos. Não que eu seja conservador, mas também não sou um ávido consumidor de cervejas raras, sazonais, com distribuição restrita e preços acima dos outros rótulos da mesma cervejaria. Entre as cervejarias artesanais com produtos facilmente encontrados aqui em São Paulo (Eisenbahn, Colorado, Bamberg, Wäls), é muito raro encontrar alguma novidade nas prateleiras, e quando há são geralmente cervejas sazonais, mais sofisticadas e caras que os outros rótulos de seus portfólios.Colorado Ithaca, Bamberg St Michael, Wäls Brut, Eisenbahn Weihnachts Ale... A lista vai longe. Bem mais difícil é fazer uma lista de novidades dessas cervejarias que sejam de linha, com distribuição e preço similar aos rótulos já tradicionais. Quando a Colorado lançou sua última novidade que custasse o mesmo que a Appia ou a Indica, e a Eisenbahn quando lançou uma novidade na sua linha básica? A Bamberg tem diversos novos lançamentos que não podem ser taxados de sofisticados ou caros, mas também são raramente encontrados sejam no varejo em garrafa ou servidos na pressão.

A impressão que tenho é que o mercado de cervejas artesanais ainda valoriza de forma desproporcional o exclusivismo em detrimento do consumo habitual. As cervejarias sabem bem que não irão ampliar suas vendas adicionando novos produtos à base de seu portfólio, em contrapartida ao lançarem rótulos sazonais ou de alto padrão ganham grande exposição na mídia especializada. Fique claro que não tenho nada contra esses lançamentos de grande qualidade, mas é difícil acreditar que os consumidores estarão enchendo suas geladeiras com alguma dessas novidades, eu sei que não irei.