segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

Cerveja boa e cara tá cheio, mas e por R$10?



Em 2013 surgiram novas cervejarias, novas cervejas, novas importadoras, novas lojas e novos bares (mas nem tanto). A concorrência aumentou visivelmente, mas os preços, na maioria das vezes, também aumentaram (expliquem essa, economistas). Ok, ok, eu sei que irão colocar a culpa no câmbio. Muitas das cervejas que gosto são importadas, o malte é importado, o lúpulo é importado... Não tem sido um bom ano para o bolso dos bebedores de boas cervejas. Como mostrei nesse post de maio, depois de incorporar as boas cervejas ao meu cotidiano, ficou fácil gastar mais de R$400 por mês bebendo.
Mas eis que chega o final do ano e me surpreendo com alguns preços em supermercados e em algumas "promoções", que, se não sugerem uma tendência para o futuro, ao menos mostram que é possível vender boa cerveja por menos de R$10. E nem estou me referindo a Eisenbahn, que é hors concours nesse tipo de discussão. Falo de cervejas como a Dama IPA (600ml), que, apesar de não ser uma cerveja excelente, é bem agradável (muito melhor que a Karavelle IPA) e encontrei, sem promoção nem nada, por menos de R$10 no supermercado St. Marché. Nessa faixa de preço também tenho visto nos supermercados boas lagers de grandes cervejarias européias, como a checa Bernard Celebration e a alemã Bitburger, ambas com 500ml. Será apenas uma coincidência ou uma nova tendência? Afinal, já está na hora de cervejarias locais e importadoras com alguma bala na agulha investirem no aumento do volume de produção e de importação, ajustando os preços àquele que grande parte dos consumidores estão dispostos a pagar por uma boa cerveja. Afinal, apostar apenas no marketing e na publicidade para convencer o consumidor a pagar (bem) caro por uma cerveja melhor tem limite.


chron.com

E o "Black Friday" então? Podem dizer que é preço promocional e tal, mas ninguém está dando cerveja de graça, se conseguem oferecer esses preços na promoção, eles também podem ser viáveis no dia-a-dia. Na Beer 4 U havia bastante cerveja americana por até R$10, de diferentes cervejarias, e nem todas estavam com a validade prestes a expirar. Tá certo que sempre foi possível comprar cerveja Brooklyn por esse preço, mas infelizmente, junto com as Anchor, são sempre as cervejas americanas em pior estado de conservação por essas bandas. As cervejas americanas distribuídas pela Tarantino costumam ser as que chegam aqui mais frescas, só faltava que eles distribuíssem algumas delas na mesma faixa de preço das Brooklyn. Quem sabe eles mantenham as Founders, ou até mesmo as Anderson Valley, que devem voltar em breve, na briga com as Brooklyn, como as cervejas americanas com melhor custo/benefício do mercado brasileiro? De qualquer forma, eu já me garanti para esse final de ano. Afinal, vai saber qual direção o preço das boas cervejas irá tomar em 2014...





quarta-feira, 13 de novembro de 2013

Mostura - para ouvir bebendo

Imagino que, assim como eu, muitos leitores bebem mais em casa do que na rua, em bares ou restaurantes. Não sei vocês, mas no meu caso é, principalmente, para gastar menos, afinal essa brincadeira de beber cerveja boa já sai bem cara de qualquer jeito.

Quando estou bebendo lá em casa, boa música sempre faz companhia à boa cerveja. A partir de hoje publicarei aqui no Mosto Crítico seleções musicais com algumas coisas que tenho ouvido. Na maioria das vezes vai ser rock&roll mesmo, mas não espere nada manjado. Se quiser ouvir as mesma coisas de sempre, a Kiss FM e a 89 Rock estão aí para isso.
Nessa seleção, sanduichei, entre duas do Lou Reed (desculpem, mas ainda não superei), algumas músicas novas para azedar aqueles que acham que o rock morreu sei-lá-quando.

Como sou old school, essa seleção também está disponível em formato podcast (podcast de verdade, para assinar e baixar. Não precisa ouvir on-line!) no endereço http://mostura.libsyn.com/. Lá tem o tracklist e o RSS para assinar, e dentro de algumas horas estará disponível na iTunes Store também. O arquivo está no formato AAC, otimizado para iTunes e equipamentos iOS. Mas, se você é do tipo que está mais acostumado a ouvir música pela janelinha do YouTube, tudo bem: o player-janelinha vai estar sempre aqui para você.


Harmonização não é o meu forte, mas esse podcast cai melhor com uma boa cerveja, de preferência com bastante lúpulo.
Boa diversão!


 

sexta-feira, 27 de setembro de 2013

O estado da cerveja paulista




Já fazia um bom tempo que toda novidade cervejeira empolgante no Brasil vinha de outro estado que não o meu, São Paulo. Mas isso tem mudado nos últimos meses, ou pelo menos agora eu tenho me entusiasmado mais com as movimentações e os novos lançamentos em terras paulistas.
Algumas semanas atrás acompanhei o David Michelsohn, da Cervejaria Júpiter, em uma viagem para Serra Negra/SP, onde ele iria realizar o dry-hopping do novo lote da deliciosa Júpiter American Pale Ale, que é fabricada na Cervejaria Dortmund. Durante a viagem comentei com o David que eu havia achado muito interessante a matéria publicada na revista sãopaulo, da Folha de São Paulo, sobre o mercado de cervejas artesanais no estado. Matérias como essa têm sido publicadas aos montes, eu sei, mas o que me chamou a atenção nessa, em especial, foi que os personagens da matéria são todos novas figuras nesse mercado. Ninguém da velha guarda do mercado de "cervejas especiais" foi citado. Nada de Colorado ou Bamberg, Beltramelli ou Saorin, que costumavam ser destaque em qualquer texto da imprensa sobre o novo mercado cervejeiro. Na matéria da sãopaulo os personagens foram a Júpiter e os irmãos Michelsohn, o pessoal da cerveja Son of a Beer e o André Cancegliero, representando a Cervejaria Urbana e o Beer Experience. Todos novatos no mercado, com ideias frescas e sem caretice.



Chegamos na Dortmund depois de três horas de viagem e logo fomos apresentados ao novo mestre-cervejeiro da casa. O Fernando, que assim como o seu antecessor Victor, trabalhou na Cervejaria Nacional, tinha assumido o posto havia poucos dias mas já demonstrou total domínio da situação e estava empolgado com o hop-tea, que serviria como uma nova injeção de lúpulos frescos nas cervejas. O entusiasmo do mestre-cervejeiro vem bem a calhar, pois lá na cervejaria de Serra Negra estão sendo fabricados alguns dos novos lançamentos cervejeiros mais comentados do ano. Além da Júpiter American Pale Ale, é de lá que estão saindo a Biritis (cerveja do Mussum), a cerveja de trigo do João Gordo, além das cervejas das bandas Matanza e Korzus. Esse portfólio demonstra o quanto o Marcel, proprietário da Dortmund, está antenado as novas tendências do mercado. Ainda sobrou espaço, nesse meio tempo, para o Marcel lançar algumas cervejas com sua própria marca: a Dortmund White IPA e a Dortmund Old Ship Pale Ale. O que todas essas cervejas que saíram da cervejaria de Serra Negra tem em comum é serem representantes de um novo momento no mercado de boas cervejas. Se antes fabricar cerveja em uma pequena fábrica e tachá-la de artesanal já garantia alguma atenção, agora o mercado já amadureceu (pelo menos um pouco), e essa nova geração já sacou que o público interessado por cervejas quer receitas modernas e que é preciso dar muita atenção ao branding. Weiss e stout com raminho de cevada no rótulo não está levando nenhuma cervejaria paulista para a frente. E não é só a Dortmund que se deu conta disso, outras cervejarias de São Paulo também perceberam que apostar em jovens cervejeiros e receitas modernas pode elevar a cervejaria a um novo patamar. A Dama, de Piracicaba, já tinha percebido isso, e recentemente a Nacional perdeu mais um profissional para o interior, com a ida do Alexandre Sigolo para a Burgman de Sorocaba.

Enquanto me preparo para ir ao Beer Experience 2013, estou aqui pensando que cena cervejeira paulista atual tem dois perfis bem definidos, sobre os quais eu me posiciono claramente: Mais Júpiter e menos Karavelle, por favor.


terça-feira, 27 de agosto de 2013

Jogue mais lúpulo e chame de IPA

Quantos pints de Imperial IPA será que o indiano bebeu?


Eu gosto tanto de cerveja amarga que nunca teve uma que eu achasse amarga demais. E parece que não sou só eu! Seja no Brasil ou nos EUA, as cervejas com mais lúpulos costumam ser as preferidas dos neozitófilos, e a denominação IPA, que por muito tempo representou o estilo mais amargo de cerveja, foi alçada a ícone dessa nova geração.  Não vou perder o meu e o seu tempo recontando aquela ladainha sobre o surgimento das India Pale Ale. Mas é um fato histórico que a sigla IPA surgiu para  indicar uma cerveja com (um pouco ou muito) mais lúpulo do que as outras cervejas disponíveis no mercado. Até recentemente, o termo IPA também era garantia que a cerveja seria clara (mas não branca). Mas como imaginação não falta aos cervejeiros americanos (e aos cervejeiros brasileiros influenciados pelo jeito americano de fazer cerveja), hoje em dia qualquer tipo de cerveja pode ser transformada em IPA. Basta jogar um monte de lúpulos americanos a mais e pronto. Assim surge uma nova "Qualquer Coisa IPA".



Não me entendam mal, como escrevi no início do texto, adoro cervejas amargas e costumo gostar da maioria das IPAs, sejam elas pretas, brancas, session, imperial ou com frutas. Acho apenas que os cervejeiros poderiam guardar um pouco dessa imaginação que usaram para adicionar mais lúpulos americanos na receita e usá-la para escolher alguma nova denominação para suas cervejas lupuladas, que não use a sigla IPA.

Eu até entendo que, acima de qualquer questão linguística está a importância do marketing para as cervejarias. De nada adianta se preocupar em usar no rótulo da cerveja uma denominação de estilo coerente se isso não ajudar a vender a cerveja. A indicação do estilo da cerveja no rótulo é importante para auxiliar o consumidor a escolher qual cerveja comprar. O cara que já tomou e gostou de uma IPA quando voltar a loja vai procurar novamente pelo estilo nos rótulos das cervejas, e evidentemente espera encontrar dentro da garrafa alguma coisa semelhante ao que bebeu da vez anterior. Talvez nessa hora o significado da sigla IPA seja muito pouco relevante, desde que o consumidor tenha entendido que não se trata necessariamente de "india pale ale", mas de "mais lúpulo do que as outras".

barclayperkins.blogspot.com

Como as cervejas que levam "mais lúpulo do que as outras" , além de me agradarem bastante, fizeram sucesso e proliferaram por aí, aproveitei para fazer uma pequena pesquisa de preço, para me ajudar e ajudar aos leitores a fazerem melhores compras lupuladas. Há tantos rótulos e tipos de IPA atualmente no mercado que tive que fazer uma seleção arbitrariamente regionalizada (e levando em conta as minhas preferências pessoais, obviamente). A pesquisa de preços disponível no link a seguir elenca 20 IPAs (de vários tipos e cores), apenas entre americanas e brasileiras. A pesquisa foi realizada entre os dias 20 e 25 de agosto, em lojas de São Paulo. Para facilitar a comparação, a lista está organizada por preço por litro.

IPAs - preço por litro em São Paulo

segunda-feira, 19 de agosto de 2013

Os bares que eu gosto em São Paulo, mesmo sem chope



Depois da minha crítica a quase ausência de bons chopes brasileiros nos bares de São Paulo, alguns leitores deste blog tentaram contra-argumentar. Falta de boas cervejas locais e desinteresse dos cervejarias pelo mercado paulistano foram alguns dos argumentos utilizados, mas não acho que sejam argumentos que se sustentem. Se fica difícil para as micro-cervejarias enviarem seus chopes para outros estados, como é que o Boteco Colarinho, do Rio de Janeiro, consegue servir mais chopes Colorado (de Ribeirão Preto/SP) do que qualquer bar de São Paulo? Não parece que a distância tenha atrapalhado nesse caso. Será que a Colorado tem pouco interesse em vender seus chopes aqui na capital, preferindo enviá-los para o Rio? Também me parece pouco provável... Minha hipótese para a baixíssima oferta de bons chopes brasileiros nas torneiras dos bares paulistanos (tendo o Empório Alto dos Pinheiros como maior exemplo) é bem outra. O público paulistano é que está mais interessado nos chopes importados do que nos nacionais. Por que deveria o proprietário do EAP ocupar 20 torneiras do seu bar com chopes nacionais, que custam na média R$9 o copo, se ele consegue encher o seu bar de clientes dispostos a pagar no mínimo R$15 por uma taça de chope importado? Não é ele, o empresário, quem tem que se preocupar com a ideologia do "apoie a cervejaria local", isso é melhor deixar para os blogueiros. Até porque não parece que a maioria dos clientes,em São Paulo, esteja preocupada com isso. Bares especializados em chopes importados em São Paulo, são um mercado promissor. Tem até o tal de The Ale House, que mal serve uma cerveja nacional, mas tem uma carta invejável de cervejas belgas e outras importadas. Diz a "rádio boato" que bares das marcas estrangeiras Brewdog e Paulaner devem abrir em breve na cidade, enquanto isso, a única cervejaria brasileira que parece interessada nessa proposta é a Karavelle, o que vai acrescentar muito pouco, na verdade.

IPA no balcão do Boca de Ouro

As oportunidades para beber bons chopes brasileiros em São Paulo são quase nulas, mas isso não quer dizer que eu não goste de nenhum bar paulistano. Na verdade tenho dois prediletos, que frequento com certa assiduidade. Não só por serem perto da minha casa, mas também por terem, além de ótimas cervejas (nada de chope), aquilo que eu mais espero de um bar: ambiente acolhedor e personalidade.
O bar Boca de Ouro e o Empório Sagarana - Vila Madalena tem algumas características em comum, mas personalidades bem distintas. Nenhum dos dois incorre no erro bem comum dos bares daqui de negligenciar o balcão. O Sagarana tem um ótimo balcão de madeira, onde o papo com os simpáticos atendentes ou algum outro bebedor empolgado pode render umas cervejas a mais. No Boca de Ouro o balcão, de fórmica preta, é levado ainda mais a sério, afinal o bar mal tem mesas. Para beber lá é no balcão e ponto final.
A atmosfera do Sagarana - Vila Madalena se beneficia muito bem do imóvel no qual está instalado, uma antiga marcenaria, com largas portas em sequência e pé-direito alto. Dentro, o ambiente faz jus a temática proposta desde a abertura da matriz, na Vila Romana. É fácil se sentir bebendo em um velho empório perdido, situado na praça matriz que alguma pequena cidade mineira. Apenas as geladeiras high-tech e as cervejas importadas, que enfeitam as prateleiras de madeira, quebram a reminiscência de algum boteco de outrora.
No Boca de Ouro a trilha sonora é elemento central na atmosfera do bar. Soul e rock'n'roll do anos 70 também aparecem discretamente na decoração, de forma coerente, completando o ambiente semelhante a algum bar que eu nunca fui em Nova Iorque. Porém essa coerência termina no cardápio de comidas, mais compatível com o nome do lugar. No Boca de Ouro tem bolovo, rabada,torresmo e sanduíche de pernil. Dentro dessas contradições, há o bar mais legal da cidade no momento: arquitetura e trilha sonora de bar "cool", nome e comidas de "pé sujo". Isso porque eu nem falei das bebidas: além de drinks clássicos, que nunca provei, tem uma carta de cervejas resumida mas que dá conta de satisfazer, seja qual for a sua preferência.
Tem só mais uma coisa em comum entre esses dois bares que deixei para o final. Não é um programa barato ir beber cerveja nesses lugares, exceto se você se contentar com Heineken. Não consigo beber mais do que duas cervejas nesses bares sem sair com um vazio imenso na minha carteira. Mas isso também não é diferente em nenhum outro bar que eu conheça em São Paulo.


Fachada do Empório Sagarana - Vila Madalena

quinta-feira, 25 de julho de 2013

A grama de Curitiba é tão verde

Foram pouco mais de 24 horas em Curitiba, acho que eu mal arranhei a superfície da cena cervejeira local, mas foi o suficiente para eu querer voltar, LOGO! No voo de volta, ainda meio bêbado graças ao DUMDAY III, tinha me decidido por escrever um post para a seção O Mosto Legal desse blog, e gastar algumas linhas para apenas elogiar as maravilhas da cerveja curitibana. Mas, provavelmente, o texto ficaria um porre, do tipo ruim. Preferi continuar fazendo aquilo que sei fazer melhor, usar a cena de Curitiba como contraponto para escrever porque me sinto frustrado com os bares de boas cervejas em São Paulo. Afinal, a grama do vizinho é sempre mais verde.



Logo que cheguei em Curitiba, na sexta passada, fui direto à Cervejaria da Vila, um pequeno bar, com apenas dez mesas no salão principal e DOZE torneiras servindo apenas boas cervejas locais (ok, tinha uma catarinense também), no som, rock'n roll, daquele não tão gasto pela alta rodagem na KissFM. Saindo de lá, andei cerca de 1500 metros para chegar ao Hop'n Roll, que fica na mesma rua. Esse, um bar muito maior, para mais de uma centena de clientes e 28 torneiras (sendo que apenas 4 serviam cerveja importada). Se não bastasse, o Hop'n Roll também é um brewpub. Tomei uma saison bem decente fabricada ali mesmo.
A seleção de chopes servidos nestes dois bares tinha uma coisa em comum: grande maioria de cervejas paranaenses. É uma relação de mão tripla: Cervejarias paranaenses produzindo cada vez melhores cervejas, donos de bares apostando no interesse do público curitibano pelas boas cervejas da região, bebedores prestigiando as cervejas locais e saindo felizes depois de cada noite regada a pints e mais pints de cervejas fabricadas ali perto. E esses foram apenas os dois bares em que estive. Na minha pesquisa pré-viagem constavam ainda outros bares, que não tive tempo de ir: A Varanda, Barbarium e Clube do Malte. Todos com uma proposta comum: servir cervejas locais, direto do barril.  Bodebrown, Gauden, Way, Wensky: Parece que todo bom bar de Curitiba serve chopes dessas cervejarias, localizadas na região metropolitana de Curitiba

Mas, agora que já estou de volta à minha cidade natal, mas ainda maravilhado pela minha breve passagem por Curitiba, me pergunto (e pergunto aos meus leitores também) onde posso ir para ter uma experiência parecida, aqui em São Paulo?
Posso imaginar que a resposta que vem a cabeça da maioria é o Empório Alto dos Pinheiros. Há muito tempo perdi o encanto pelo EAP. Em parte porque o ambiente lá me lembra mais uma loja do que um bar, em parte porque a cozinha de lá nunca me entusiasmou. Nem as 500+ cervejas fazem diferença para mim. Um bar legal com uma boa carta de 30 cervejas provavelmente dará conta das minhas necessidades. E tem os chopes, apesar de ter 28 torneiras de chope no EAP, no dia de hoje apenas 4 servem cervejas produzidas no estado de São Paulo. A imensa maioria das torneiras está ocupada com chopes importados, que não me entusiasmam. Cerveja importada (e cara) eu compro na loja e tomo em casa, chope eu prefiro local e fresco, não algum barril que viajou milhares de quilômetros e está engatado na chopeira há semanas. Essa viagem para Curitiba deixou ainda mais claro para mim que o grande problema (e talvez a grande vantagem para o proprietário) do EAP é a falta de concorrência à altura. Os outros bares da cidade que tentaram copiar o sucesso do EAP repetiram a mesma fórmula (que não me atrai), cartas de cerveja quilométricas, com destaque para as importadas. Ambiente entre o sofisticado e a falta de personalidade. Oferecer chopes locais, frescos, acessíveis e com alguma variedade ninguém quer arriscar.
Tem também a Cervejaria Nacional, que é o bar que mais tenho frequentado em São Paulo, provavelmente até demais. O ambiente é razoavelmente agradável, a cerveja é boa e fica perto de casa. Mas para uma cidade como São Paulo ainda é muito pouco. Recentemente passei a frequentar o Boca de Ouro, um pequeno bar, em Pinheiros para variar, que tem um grande problema, é pequeno demais para dar conta de girar algumas torneiras de chope. De toda forma, o Boca de Ouro merece ser tema para outro post.





Sobre a festa de aniversário da DUM Cervejaria não tenho muito a dizer, pois não gosto de repetir o que já foi publicado em outros blogs. O DUMDAY III foi muito bem organizado, conheci gente legal e ganhei uma bela caneca de vidro (nada de pote de geléia). Não vou listar aqui o que bebi, para isso existe o Untappd, mas tinha muita cerveja boa, com destaque merecido para as cervejas dos anfitriões. A única falha foi da hamburgueria convidada para o evento. Antes mesmo das 14h o pão de hambúrguer havia acabado. Imagino que tenham apostado no fracasso da festa. Se enganaram, foi um sucesso tremendo.

quarta-feira, 3 de julho de 2013

A garrafinhazinha




Eu não gosto dessas garrafinhas de 300ml (310ml para alguns). Considero o tamanho inadequado para a maioria das cervejas que as utilizam. 300ml de pale ale, porter ou lager é uma porção bem pequena e, se a cerveja for boa, insatisfatória.
Fiquei surpreso ao descobrir que a Júpiter Pale Ale, cerveja recém lançada pelo amigo David Michelsohn, também será engarrafada nesse formato diminuto. Catei a minha frustração e fui perguntar para o David: "por quê"???

A resposta dele deixou claro que ele sabe o que está fazendo. Citou uma pesquisa de mercado, que diz que as garrafas de 600ml estão em baixa e que o lance agora é 300 ou 1000. Ele também me disse que percebe nos bares a preferência dos consumidores de boas cervejas por garrafas menores, o que possibilita tomarem uma maior variedade de cervejas em uma mesma noite.
Será que sou só eu que não bebo dessa forma? Esse lance de provar um pouquinho de cada cerveja  e nunca beber direito nenhuma realmente não me atrai muito.Com todo respeito a Júpiter Pale Ale, que gosto muito, das Ways e Colorados, não considero essas "cervejas de degustação", daquelas complexas e potentes (e caras), em que alguns pequenos goles já são o suficiente para tomar os sentidos e esvaziar os bolsos. Mas esse não é bem o perfil da maioria das cervejas brasileiras engarrafadas em garrafas de 300ml.

Contra as garrafinhas tem ainda o argumento econômico: em embalagens menores o custo da embalagem é maior em relação ao preço total do produto. Estamos pagando mais vidro para menos cerveja. Sempre considerei o formato de 355ml (das latas e garrafas long neck) o menor possível para satisfazer minha sede por cerveja, mas parece que, assim como as garrafas de 600ml, é um formato em extinção. São poucas as boas cervejas engarrafadas nesse formato e pode não parecer muito grande a diferença, mas nessa transição de 355 para 300 perdemos 18% de cerveja, e não é por isso que o preço é menor. Fica ainda uma dúvida na minha cabeça: as microcervejarias preferem as garrafinhas de 300ml ou tem algo que as impeça de engarrafar em 355ml?