quinta-feira, 2 de maio de 2013

Será que estou bebendo demais? (Gastando demais tenho certeza que estou)

Foi muito legal a repercussão do post anterior, com a tabela comparativa do preço por litro de diversas boas cervejas que encontro a venda aqui na ZO paulistana. Muita gente me disse que passou a prestar mais atenção no preço que está pagando, no comparativo com outras similares, nacionais e importadas. Essa é a idéia! Também teve gente que considerou injusta a minha tabela. O Murilo, da Dum Cervejaria, me disse que acha injusto comparar o preço praticado pelas micro-cervejarias brasileiras com o preço das cervejas importadas, pois seriam realidades muito distintas. Para ele, as micro-cervejarias brasileiras trabalham com margens pequenas e não teriam condições de reduzi-las, enquanto isso as importadoras trabalham com margens bem maiores. Não ignoro as dificuldades dos pequenos produtores, mas entendo que todos disputam o mesmo mercado, são produtos similares e por isso devem ser comparados, de forma que fique mais claro para o consumidor a posição de cada produto dentro do mercado.

No meio do caminho surgiu uma pequena polêmica que contribuiu para esclarecer a visão que os empresários do setor tem do mercado brasileiro. Na ânsia de justificar a disparidade dos preços de suas cervejas nos mercados americanos e franceses na comparação com o brasileiro, o Marcelo Carneiro, da Cervejaria Colorado, sugeriu que o consumidor local, entendendo o peso do "custo Brasil" sobre o produtor brasileiro, deveria sim pagar mais caro como forma de incentivar a produção nacional e auxiliá-lo a atingir um volume maior de produção. Segundo ele, quem não for solidário e compreender essa situação, que vá beber Brahma. Um empresário de sucesso se colocando como vítima do "sistema" e apelando para um velho argumento ideológico para convencer o consumidor a pagar mais caro para viabilizar a sua produção, enquanto vende suas cervejas nos EUA por um terço do preço praticado aqui. Quase ninguém engoliu as justificativas para tamanha disparidade de preços, muito menos eu. Da minha parte, nada contra a Colorado, continuarei comprando a suas cervejas quando valer a pena.



Enquanto isso, eu não parei de consumir e dar minha pequena contribuição para fazer girar a roda cervejeira. Não foi por solidariedade a nenhum produtor ou comerciante, mas apenas porque adoro beber boa cerveja. O problema é descobrir que essa a pequena contribuição deixa uma sequela bem grande no meu orçamento. Superado o receio em encarar a realidade dos números, tabulei (com o auxílio do Untappd) as cervejas que (paguei e) consumi durante o mês de abril. Foram pouco mais de 17 litros de cerveja para cerca de R$430 gastos, algo em torno de R$25 por litro. Comparando com a tabela de preço por litro que divulguei no post anterior, tem muita boa cerveja com preço inferior a R$25/L, o problema é que nem sempre o melhor preço está ao meu alcance, sem falar que também gosto de beber em bares, onde o preço é bem maior..

Uma das frases de efeito mais usada por pregadores das Revolução Cervejeira é dizer que "É um caminho sem volta". De fato, depois que acostumei a beber apenas boas cervejas no dia a dia ficou muito difícil voltar a consumir as velhas cervejas aguadas por iniciativa própria, mesmo quando o bolso aperta. Até para Heineken criei uma certa resistência, aquele gosto de fruta verde me incomoda cada vez mais. Tendo abandonado a Heineken, tive que subir um degrau para estabelecer as cervejas-base do meu consumo doméstico: a Eisenbahn 5 anos. Ótima escolha, exceto por custar o dobro da anterior. Se não bastasse, a tentação é enorme quando se gosta de tudo que é estilo de cerveja, tem sempre mais cerveja do que eu consigo experimentar. Consigo evitar diversas tentações, mas sempre acabo seduzido por algum fetiche.

Para mim está claro que beber 17 litros por mês não é muito, muito mesmo é gastar R$430 no mês com algo tão prosaico, que é beber cerveja. Minha meta para os próximos meses é, sem diminuir o volume bebido, gastar bem menos, sem esmola ou ideologia.

fonte: http://joshchristie.hoppress.com

segunda-feira, 8 de abril de 2013

Preço por litro é o preço real

Outro dia sugeriram que ficar divulgando preços e promoções de cerveja era algo inferior, e como blogueiro eu deveria me dedicar a análises mais profundas, também me disseram que certas comparações de preços podem ser injustas com produtores e vendedores. Discordo completamente dessas idéias. Não acho que o meu blog precise tratar do tema de maneira "aprofundada", ser consumidor de boas cervejas é algo bastante simples, e me esforço para manter afastada desse blog a minha afetação como um aficionado pela cultura da cerveja. Prefiro tratar aqui das questões do dia a dia do consumidor, que para alguns pode parecer simplório, mas para mim são essenciais. Comparar preços é uma delas. Não entendo o receio de muitos comerciantes em divulgar seus preços na internet, provavelmente é porque sabem que seus preços não estão entre os melhores.

fonte: barclayperkins.blogspot.com

Cada vez mais assuntado com a aumento dos preços das boas cervejas brasileiras em comparação com as importadas, fiz um pequeno experimento. É bem simples e até óbvio, mas que mostra de forma bem clara o posicionamento no mercado de algumas das boas cervejas mais comentadas e bebidas entre os zitófilos de São Paulo. O experimento se resume à uma planilha de preços, ordenada pelo preço por litro de cada cerveja. Como referência, usei o menor preço que encontrei para cada cerveja na região oeste de São Paulo, desconsiderei promoções temporárias ou de cervejas com data de vencimento muito próxima.


A planilha está hospedada no Google Drive, basta clicar no link abaixo:


Algumas curiosidades logo me saltaram aos olhos. Por exemplo: uma cerveja que eu achava cara, mas já nem acho tão cara assim é a Colorado Vixnu. Bem mais barata que a Way Double Pale Ale, essa sim com um preço desproporcionalmente alto.
Mas o que realmente chama atenção nessa lista é ver boas cervejas importadas com preços melhores do que as similares nacionais, mesmo que isso não seja exatamente uma novidade. Alguns bons negócios ficam evidentes nessa lista, e poderia servir de estímulo ao mercado, de investir mais em packs com descontos. Os comerciantes ganham em volume e o consumidor, um desconto atraente. Brooklyn mais barata que Way Beer? Basta comprar de 6-pack. As cervejas americanas já chegam no Brasil em pack de 6 ou 4, o que facilita para o comerciante oferecer para venda neste formato. Quando as cervejarias brasileiras irão fazer o mesmo?

Se você, como eu, consome tanta cerveja durate o mês, que já controla o seu consumo por litragem, sugiro que passe a prestar atenção no preço real que está pagando. Compare o preço que está pagando por litro nas cervejas que consome cotidianamente e faça melhores escolhas.



A minha IPA preferida eu compraria só de 6pack.

quinta-feira, 14 de março de 2013

O efeito de um presente

Na semana passada eu ganhei 6 garrafas de cerveja da rede Mr. Beer. Um diretor da empresa me ofereceu a cortesia após eu ter feito alguns comentários demonstrando a minha frustração com o alto preço das cervejas de importação exclusiva deles. Aceitei sem hesitar, não sou louco de recusar cerveja boa e de graça, e mesmo após mais algumas considerações minhas por e-mail sobre o porquê da minha antipatia pelo Mr. Beer, me enviaram mais de 3 litros de boas cervejas. Desde já expresso minha gratidão pelo presente generoso.

Cerveja, quando grátis, é sempre mais gostosa e eu acho realmente difícil avaliar uma cerveja quando não paguei por ela, pois o critério de custo/benefício é o mais relevante no meu julgamento como consumidor. Eu até tenho uma ideia do preço dessas cervejas que ganhei, mas quando não pesa no próprio bolso a aplicação do critério de custo/benefício fica mais ideológico do que factual. Todas as cervejas que vieram no presente são boas, mas sem nenhum grande destaque. Não é difícil encontrar, no mercado brasileiro, cervejas similares, melhores e mais baratas do que essas exclusivas do Mr. Beer. As cervejas que ganhei foram: Epic Hopulent IPA, Epic Copper Cone Pale Ale, Epic 825 State Stout e a Epic Brainless Belgian-Style Golden Ale, além da Tereza Pilsen Extra Hop.




Se, com esse agrado, o Mr. Beer não conseguiu com que o blogueiro falasse bem da marca e de suas cervejas, ao menos fez com que eu refletisse melhor sobre a posição que eles ocupam atualmente no mercado. Eu não tenho interesse em fazer compras no Mr. Beer, basicamente pelos preços serem entre 20% e 30% mais altos do que os que encontro por aí em outras lojas e supermercados. Imagino que grande parte dos consumidores habituais de boas cervejas também deva saber disso. De toda forma esse fato não parece afetar a saúde do negócio, já que anunciaram o faturamento de R$30 milhões em 2012, segundo o jornal Valor Econômico. A análise dessa revista sugere que os principais concorrentes do Mr. Beer são os clubes de cerveja, fica mesmo evidente que eles não se sentem ameaçados pelas tantas lojas de cervejas, físicas e on-line, que abriram nos últimos tempos, geralmente com preços bem melhores. O público do Mr. Beer é outro, com padrão de consumo bem diferente do meu. É aquele pessoal que quer comprar uma cerveja diferente de vez em quando para fazer uma graça, dar um presente ou experimentar algo diferente do habitual, conhece pouco do mercado cervejeiro, não sabe ou não se importa de pagar um preço bem acima da média e aproveita a comodidade das lojas muito bem localizadas. Tenho que ser realista e reconhecer que este perfil de consumidor de boas cervejas sempre irá existir e negócios como o Mr. Beer e os clubes de cerveja sempre terão neste público o seu filão garantido. Afinal, o mercado das boas cervejas não para de crescer e tem espaço para todos, basta trabalhar direito.





sexta-feira, 1 de março de 2013

Chope, genuinamente brasileiro

O chope (ou chopp), essa entidade cervejeira genuinamente brasileira, é alvo de muita desinformação, apropriação indevida e mau uso. Diz o wikipedia que a origem do termo remonta aos alemães, via França. O termo também é muito usado em outros países latino-americanos, como Argentina e Chile, mas é aqui no Brasil que ele foi transformado em um estilo próprio de cerveja. Existem diversas definições diferentes para o termo chope, mas neste blog ele é usado unicamente para indicar a cerveja acondicionada em barril e servida extraída por pressão ou pela força da gravidade.

Antigamente a Brahma se denominava chopp  Até hoje a Brahma se denomina chopp, mesmo na garrafa (e mesmo pasteurizada),  e têm muitas outras cervejas em garrafa que se auto-denominam da mesma forma. Muito disso está baseado no conceito, meio esdrúxulo, que a cerveja não-pasteurizada é necessariamente chamada de chope, como se fossem dois produtos diferentes. Já li até que toda cerveja primeiro é chope, e apenas depois de pasteurizada passa a ser chamada de cerveja. Não sei de onde vieram essas ideias mas, para mim, toda bebida fermentada a base de malte pode ser chamada de cerveja. Recentemente li um comentário em um blog, onde o sujeito queria convencer a todos que "chope" indica um estilo específico de cerveja: aquela lager clara, leve, quase aguada, que costuma ser chamada vulgarmente de chope claro. Eu sei que os mais velhos e menos informados estão habituados àquele mundo ultrapassado, estável e bicolor, onde as variedades de cerveja se resumem à clara e a escura, o mesmo valendo para a patriarca da família, o chope, mas existem muito mais variedades do que isso, e você leitor, já deve saber muito bem disso.



Por todo país, o chope tradicional, lager, claro (e na maioria das vezes da marca Brahma) continua sendo servido como se essa fosse a única forma possível de chope. O seu serviço continua mantendo os mesmos velhos cacoetes, que infelizmente acabam sendo trazidos quando o profissional (o amigo chopeiro) vai trabalhar com outras variedades de chope. Além do barril armazenado à temperatura ambiente, hábitos como espumar o chope entornando parte da cerveja para uma bandeja, o uso de espátula para alinhar o colarinho, e principalmente o colarinho abundante são práticas do dia-a-dia, seja o chope Brahma, Bamberg ou qualquer outro.

Entre esses, há um tema que é sempre mais difícil de ser abordado, o intocável "colarinho". Mal compreendido por alguns, exageradamente glorificado por outros. O colarinho, formado pela espuma da cerveja, é obviamente essencial. Torna a experiencia tátil, visual e gustativa de beber um chope, mais agradável. Nunca deve ser negligenciado, mas o elogio ao colarinho não serve de desculpa para o exagero, que pode ser lucrativo ao comerciante que vende o chope, mas não para o consumidor. Afinal, a espuma é composta de um pouco de cerveja e muito gás,  assim o chope com colarinho enorme extrai menos cerveja do barril, que rende mais chopes. É muito comum por aí, ver chopes sendo servidos com colarinhos que tomam mais da metade do copo. Quando o colarinho baixa, fica evidente que tem menos cerveja no copo do que deveria, mas raramente o consumidor espera para ver.

Bar Leo e a escola do colarinho de 2/3


Por isso, lanço a campanha "No meu chope, colarinho de dois dedos". Sem negligenciar o querido colarinho, temos que estabelecer um limite de razoabilidade entre líquido e espuma para valorizar mais cada chope, afinal o preço do bom chope já está cada vez mais valorizado. Eu sei que dependendo do tamanho e formato, dois dedos representarão uma proporção diferente em relação ao volume do copo. Também sei que certos estilos de cerveja tradicionalmente permitem colarinhos maiores. Mas essa medida de dois dedos serve de parâmetro para a maioria dos chopes servidos por aí, Brahma ou outros, em calderetas ou canecas, de 350ml ou 500ml.
Entrando ou não na campanha, sugiro ao leitor que se sentir lesado por um colarinho como da foto acima, faça como eu: deixe o copo descansar na mesa por 2 minutos, e quando o colarinho exagerado baixar, peça para o garçom que complete de cerveja o seu copo.

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

Melhores de 2012 – Blog do BOB


Foram mais de cem votantes na enquete e ficou difícil achar o voto de cada um. Resolvi republicar o meu voto para facilitar aos visitantes de passagem e para quem ainda possa ter alguma curiosidade sobre as minhas preferências.



Melhores de 2012 – Blog do BOB
Foi divertido fazer essa lista proposta pelo Bob, assim como foi difícil. Nem vou tentar equilibrar a lista, desconsiderando a minha preferência pelas cervejas mais lupuladas. Esta é uma lista pessoal e permanentemente provisória, mas esse é o meu sentimento nesse 1º de janeiro de 2013 sobre as cervejas que bebi e tudo que aconteceu na cena cervejeira, no ano que passou.


1) MELHOR ALE NACIONAL
Cervejaria Nacional/Sinnatrah B’IPA – Tento acreditar que a melhor IPA será sempre a mais fresca, porém as americanas não me deixam. De toda forma, no caso das brasileiras tem funcionado assim. Nada melhor do que tomar uma IPA fabricada a 600 metros de casa, no dia do lançamento, e muito bem feita. Ótima IPA a moda inglesa, lupulagem mais rústica e sem o excesso de frutas cítricas. Seca no ponto certo, sem aquele dulçor a mais, comum a tantas IPAs brasileiras. Uma pena que era sazonal, quando voltei na Cervejaria Nacional, 15 dias depois, não tinha mais. Espero que volte logo!


2) MELHOR LAGER NACIONAL
Eisenbahn 5 anos – Não posso deixar de fora a cerveja que mais bebi em 2012. Pode não ser a cerveja mais redonda, às vezes o amargor dela parece um pouco áspero, mas quando está fresca, seu aroma é muito bom, uma mistura de caramelo com chá mate. Como a maior parte das cervejas Eisenbahn, o preço é muito acessível, tem a melhor relação custo/amargor do mercado brasileiro. Tenho sempre na minha geladeira.


3) MELHOR ALE IMPORTADA
Weihenstephaner Vitus - Primeira vez que provei foi quando conheci o bar Frangó, há alguns anos. No começo não dava muita bola para ela, assim como não dava bola para as cervejas de trigo em geral. Mas, com o passar do tempo, passei a admirá-la. Para mim, que sempre preferi as amargas, é uma cerveja suave, mas ao mesmo tempo, complexa e divertida, ainda mais com o teor alcoólico respeitável. No começo do ano tomei algumas meio apagadas, deviam estar mal tratadas as coitadas, mas com o novo lote, que chegou alguns meses atrás, tenho comprado cada vez mais. Se não bastasse ser ótima, é uma cerveja fácil de encontrar e com preço amigável.


4) MELHOR LAGER IMPORTADA
De Molen Donder & Bliksem – Merece a citação pela surpresa que foi ganhar uma garrafa dessa lager de rótulo discreto. Me disseram que era uma Bohemian Pilsener, mas me lembrou mais outra lager deliciosa do mar do norte, a Schiehallion. Aroma de lichia, bom amargor e muito refrescante.


5) MELHOR CHOPE
Way Pale Ale – Daquele tipo de chope que dá para tomar a noite inteira. Até o Beer Experience 2012, eu só tinha bebido a versão engarrafada, que é apenas uma sombra do que é esse chope. Aroma fresco cítrico, chope leve que mata a sede com personalidade. É uma pena que quase não chegue a São Paulo.


6) MELHOR BAR CERVEJEIRO
Empório Sagarana - Vila Madalena - Taí a contradição. Eu mesmo já havia escrito por aí que empório não é bar. Então que me aparece esse bar, instalado onde ficava uma velha marcenaria, perto de casa. Digo que é bar porque, apesar do nome, tem cara de bar, personalidade de bar. É um estabelecimento bem pequeno, de esquina. Não tem mesas, mas tem o balcão mais convidativo que conheço na cidade. Não tem cozinha, porém serve duas porções básicas para acompanhar cerveja, queijo e amendoim. Mas é um empório: tem mais de uma centena de rótulos de cerveja para beber lá ou levar, pois os preços das cervejas são tão bons quanto os das melhores lojas, bem abaixo do que praticam os bares cervejeiros da cidade.
Muitos já devem conhecer a matriz do Sagarana, na Lapa. A filial na Vila Madalena compartilha o mesmo estilo na decoração, com muita madeira, dando um ar rústico ao lugar, mas tem um diferencial que cativa a mim, os preços mais baixos.


7) MELHOR CERVEJA CASEIRA

(não bebi)


8) MELHOR CERVEJA DO ANO, AQUI OU LÁ FORA
Duvel Tripel Hop (Citra 2012) - Que cerveja incrível é essa! O melhor encontro entre a levedura belga e o lúpulo americano. Diferente de muitas das chamadas “Belgian IPAs” (é uma tripel com lúpulo americano, o rótulo já avisa), nesta cerveja a lupulagem assertiva e a levedura não brigam, eles dançam harmoniosamente, sem sobreposição.


9) RÓTULO MAIS BONITO DO ANO
Founders Centennial IPA – Dois anjos elevam ao céu o nome do lúpulo que dá alma a essa cerveja, a melhor IPA americana do mercado nacional. Não tem rótulo mais digno que esse.


10) NOVIDADE DO ANO
A chegada das Founders ao Brasil. Para mim a melhor cervejaria americana entre as que já importaram para o Brasil. Melhor ainda, chegaram com preço abaixo de muitas outras americanas. Nesse quesito só perdem para as Brooklyn, mas as cervejas da Founders dão um baile. Espero que o próximo lote mantenha o posicionamento no preço e aumente a variedade. Afinal o que é bom sempre pode melhorar.


11) MELHOR FATO CERVEJEIRO
A queda no preço das cervejas importadas é um fato a ser celebrado por nós consumidores. Hoje em dia, em São Paulo, é possível comprar ótimas cervejas importadas, americanas e belgas, por menos de R$10; as icônicas trapistas a partir de R$12; uma diversidade de boas cervejas alemãs a partir de R$10. Isso, num ano em que nossa moeda desvalorizou, demonstra que o mercado amadureceu, na base da concorrência.
O industrial brasileiro, fabricante de cerveja artesanal pode discordar que isso seja um bom fato cervejeiro, mas é ele quem tem que correr atrás do prejuízo. Para nós consumidores, o mais importante é a cerveja ser boa e acessível, seja fabricada aqui ou no exterior.


12) PIOR FATO CERVEJEIRO
Em 2012, definitivamente a cidade de São Paulo ficou para trás no mercado do chope artesanal. Tentei contar quantos bares abriram em São Paulo nesse ano, que ofereçam alguma variedade de chope artesanal para além do pilsen e do weiss, me lembrei de apenas um. Com esse, deve haver no máximo quatro casas com três torneiras de chope artesanal cada uma. Com maior variedade de chopes artesanais em São Paulo há apenas um bar.
Nunca vi nenhuma pesquisa a respeito, mas não é difícil imaginar que a cidade de São Paulo seja o maior mercado de cervejas artesanais e importadas do país. A maioria dos supermercados já as vendem, todos os bairros de classe média e alta têm empórios vendendo essas cervejas, mas chope artesanal, quase nada. Enquanto isso, acompanho a distância o crescimento desse mercado em Porto Alegre, Rio de Janeiro, Belo Horizonte e Curitiba. Todas essas cidades tiveram bares abertos em 2012 com boa oferta de chopes artesanais.
As vantagens de consumir chope são o preço e o frescor, por isso valorizo o chope artesanal brasileiro. Mas, se você quiser tomar chope importado em São Paulo, não há problema. Isso tem bastante...

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

O mistério da vida útil de uma IPA

Cerveja velha tem que beber logo. Essas já eram!




Depois de fazer uma comparação informal entre uma IPA americana vencida ( a Sixpoint Bengali Tiger em lata) e algumas IPAs nacionais mais frescas (e preferir a vencida), quis saber um pouco mais sobre a vida útil da cerveja americana.

Escrevi um email para a cervejaria elogiando as cervejas e perguntando qual era a idade da cerveja que havia tomado. Esperei uma semana sem resposta, até que resolvi cobrar pela resposta via twitter. Funcionou! Consegui um pouco da atenção do Shane C. Walsh, presidente da Sixpoint Brewery. A princípio ele não quis responder a minha simples pergunta, mas com um pouco de insistência, ele me deu uma meia resposta. Achei melhor me satisfazer com isso e parar de importuná-lo.

Segundo Mr. Welsh, as cervejas enviadas pela Sixpoint ao Brasil são pasteurizadas antes do embarque, exceto a Resin. Ele também disse que as cervejas da Sixpoint tem entre 90 e 270 dias de vida útil, sem especificar qual é qual. De toda forma, seria cronologicamente impossível que as cervejas Sixpoint à venda no Brasil tenham apenas 90 dias entre o engarrafamento e o limite da validade.

Essa minha tentativa de obter uma informação básica sobre o produto da cervejaria demonstrou o resguardo que eles têm com uma informação que pode implicar na qualidade do produto. Eu entendo que essa pouca vontade de esclarecer abertamente um consumidor curioso é sinal claro da falta de transparência. Esse tipo de situação sempre me deixa com uma sensação de "tem coisa aí".

Abaixo segue a transcrição completa da pequena troca de mensagem que tive com chefe da cervejaria Sixpoint:



From: Fernando M Pacheco
Date: 28 de janeiro de 2013 09:23:00 BRST
To: "info@sixpoint.com"
Subject: Bengali Tiger life span

Hi,

Last week I bought a case of Bengali Tiger and a 4-pack of Resin in São Paulo, Brazil on a great discount. The beer expiration date is 1/29/2013 and although the beer is far from fresh it's still good beer. When compared to Brazilian IPAs it's still a fine IPA and I'm pleased by the price I've paid.

Now I'm really interested in comparing american IPAs avaliable in Brazil with the local IPAs. My question is: what is this Bengali's life span, or when was this batch brewed?

Thank you and keep up the great work.

Fernando M Pacheco

mostocritico.blogspot.com.br




From: "Shane C. Welch"
Date: 4 de fevereiro de 2013 12:58:55 BRST
To: Fernando M Pacheco
Subject: Re: Bengali Tiger life span

Hi Fernando -

We are happy to hear that your experience with our "out of code" beers in Brazil was still good.  That being said, in order for you to have a true comparison, we suggest that you try sampling "fresh" Sixpoint beers if you are going to compare and blog about it.

We have a fresh shipment going to Brazil very soon.  Should we alert you when it arrives?

cheers,

☮ ☮ ☮ ☮ ☮ ☮ 
Shane C. Welch
President
Sixpoint - Brooklyn - NYC 11231





From: Fernando M Pacheco
Date: 4 de fevereiro de 2013 14:22:58 BRST
To: "Shane C. Welch"
Subject: Re: Bengali Tiger life span

Hi Shane,

I have tried fresher Sixpoint beers before (Righteous, Bengali and Resin) and it was all good.

I think it's great that you label all your beer with a "best before" date, since dry-hopped beer are better when drunk fresh. But I'm still curious about its canning date. Can you tell me how old these beers are?

This information can help me evaluate how american canned beer can hold on  to Brazil's climate and distribution system, in comparison to brazilian "american style" beers.

Thank you!

Fernando M Pacheco

mostocritico.blogspot.com.br




From: "Shane C. Welch"
Date: 4 de fevereiro de 2013 14:25:20 BRST
To: Fernando M Pacheco 
Subject: Re: Bengali Tiger life span


Fernando -

Some of our beers are canned with as little as 90 days of code dating, while others have as many as 270.

All of the beers we send to Brazil, except for the Resin, have been pasteurized prior to packaging.

cheers

☮ ☮ ☮ ☮ ☮ ☮ 
Shane C. Welch
President
Sixpoint - Brooklyn - NYC 11231


terça-feira, 29 de janeiro de 2013

Muita cerveja importada, pouco chope local


Feliz 2013


Passados 14 meses desde que iniciei este blog, aproveitei a virada de ano para refletir sobre minhas ideias e sentimentos como consumidor de boas cervejas e sobre tudo que já escrevi por aqui, no twitter e em outras redes. Acaba sendo irresistível também dar continuidade a alguns temas que surgiram na enquete Melhores de 2012, do Blog do Bob.

A oferta de boas cervejas brasileiras no mercado paulistano cresceu a passos bem lentos em 2012. Talvez essa percepção seja devido ao fato do mercado de cervejas importadas ter crescido em ritmo muito maior, mas de toda forma, para quem quer novidades locais, foi decepcionante. Alguns lançamentos barulhentos de cervejas high-end, podem ter dado a impressão que o ano tenha sido promissor, mas para o meu consumo do dia-a-dia, em termos de cervejas brasileiras, quase nada mudou. No máximo incorporei as cervejas da Way Beer no meu portfólio pessoal, mas nem sempre estão disponíveis e nem o preço entusiasma tanto.

Falando nisso, esse deve ser o maior motivo da minha falta de empolgação com as boas cervejas nacionais, a falta de competitividade com as importadas. Sempre me pareceu óbvio que as vantagens de consumir as cervejas locais (ou pelo menos domésticas) seriam o preço e o frescor, mas infelizmente em nenhum dos dois critérios elas têm superado a concorrência internacional. Sejam cervejas de estilos alemães, belgas ou americanos sempre encontro boas opções importadas com preços mais interessantes que as similares nacionais. Mas e o frescor? Acabo reconhecendo que, mesmo vindo chacoalhando em um navio desde o hemisfério norte, muitas vezes as cervejas importadas estão em estado de conservação similar as nacionais. Talvez nem seja exatamente isso, talvez, mesmo tendo perdido parte de suas qualidades, muitas cervejas importadas ainda estejam em pé de igualdade com as nacionais.

Veja as IPAs, por exemplo: no último fim de semana fiz um pequeno teste. Tomei três nacionais na sequência (Três Lobos, Karavelle e Colorado) e depois uma americana (Sixpoint). As nacionais tinham alguns poucos meses de garrafa e a americana, prestes a vencer. Se a americana já não era a mesma de meses atrás, ela ainda assim foi a experiência mais agradável, com mais drinkability e algum resquício de aroma cítrico. Nas nacionais prevaleceram dulçor e amanteigado, com um amargor no final para justificar a alcunha de IPA. Tá certo que a Sixpoint é em lata e isso pode ter ajudado na conservação, afinal também tem muita IPA americana a venda por aqui, que mesmo dentro da validade, parece mais com água de bateria. Mesmo assim, é decepcionante admitir que a IPA mais velha e viajada ainda seja melhor.

Deve ser mais fácil ser otimista bebendo cerveja no Brooklyn
Logo me vem a cabeça o post "Cerveja viva ou morta?". Esse post repercutiu muito na época, muitos criticaram, mas poucos disseram abertamente o motivo pelo qual as cervejas importadas são mais resistentes que as brasileiras. Muitas cervejas importadas não são pasteurizadas nem micro-filtradas, não ficam sob refrigeração todo o tempo e mesmo assim permanecem boas por tanto ou mais tempo que as nacionais pasteurizadas. Tem até quem duvide da honestidade das cervejarias estrangeiras, que afirmam não pasteurizar suas cervejas. Isso eu não sei, mas também não duvido...

E que dizer de bom do mercado paulistano de bons chopes brasileiros? Quase nada! Outro dia fiquei feliz por ter entrado em um novo bar perto de casa que tinha chope Dama IPA em sua única torneira. É com isso que tenho que me contentar, enquanto fico babando com a oferta de chopes em bares de Porto Alegre. A diferença é tanta que, no dia que o Bob publicou meu voto nos Melhores de 2012, teve dono de bar gaúcho que soberbamente desqualificou o meu voto para Melhor Bar: "Nem chope tem!". Nem só de torneiras se faz um bom bar, mas se lá no sul dá certo, qual é a dificuldade aqui em São Paulo então? Será que em São Paulo há menos aceitação do público ou os comerciantes que são mais conservadores? Arrisco dizer que é a segunda opção. Mas também tenho a impressão que mesmo os bares que tentaram trabalhar com boa variedade de chopes não trabalharam o produto direito. Nem é apenas pela falta de câmara fria (que já é falha grave), mas também o atendimento. Bar que serve diversos chopes tem que dar prioridade para eles. Não ajuda nada ter um carta imensa de cervejas em garrafa com preços melhores.

Minha perspectiva pessoal para 2013 é pessimista assim: Muita cerveja importada, pouco chope local.